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Yitró – por Rav Netanel Tzippel

11.03.11  |   Parasha  |  Marcella Becker

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No começo desta parashat a Torá nos conta sobre os dois filhos de Moshe. “O nome de um é Guershom” e o motivo para seu nome foi dito por Moshe: “pois fui um ‘guer’ (estrangeiro) numa terra estranha”, a palavra Guershom pode ser dividida em dois Guer que significa estrangeiro e sham significa lá. Seu outro filho foi chamado de Eliezer porque “o D’us de meu antepassado me ajuda e me salvou da espada do Faraó″. O nome Eliezer também pode ser dividido em duas palavras: E-li (Meu D’us); e Ezer (ajuda).

Os rabinos Baalei Hamussar (‘senhores da ética’) fizeram duas perguntas sobre esta passagem da Torá. A primeira, o nome do segundo filho de Moshe realmente tem um significado adequado. Moshe Rabeinu quis agradecer a D’us por sua salvação – já que o Faraó o estava ameaçando. No Midrash está escrito que quando Datan e Aviram contaram ao Faraó que foi Moshe quem matou o egípcio, o Faraó quis punir Moshe matando-o com uma espada, e o pescoço de Moshe se tornou duro como o mármore – e assim ele se salvou.

Porém, o nome de seu primeiro filho não é claro e faz surgir uma pergunta: com que objetivo Moshe queria que todos soubessem que ele foi um estrangeiro numa terra estranha? Por que ele quis eternizar e deixar claro para todas as gerações, que em seu passado havia sido um estrangeiro?

E a segunda pergunta é sobre cronologia dos fatos. O milagre que salvou Moshe da espada do Faraó foi anterior a sua fuga, que o fez estrangeiro na terra de Midian, portanto seu primeiro filho deveria se chamar Eliezer e o segundo Guershom!

O Rabino Israel Meir Hakohen, mais conhecido como o “Chafetz Chaim”, explica em seu livro sobre a Torá que os filhos de Moshe nasceram enquanto ele era um estrangeiro na casa de seu sogro Ytro. Naqueles dias, Moshe Rabeinu era a única pessoa que acreditava em um D’us único. Mesmo Ytro que posteriormente se converteu para o judaísmo, ainda estava distante da fé em D’us e em sua Torá (instrução). Portanto, concluímos que todo o meio no qual vivia Moshe era muito ruim espiritualmente e levou Moshe a temer com relação ao futuro de seus filhos – talvez eles fossem influenciados pelo meio em que crescessem e pelos atos das pessoas que os cercavam. Para evitar qualquer má influência por menor que fosse, Moshe chamou seu primeiro filho de “Guershom” (um estrangeiro lá), desta forma seu filho lembrará por toda sua vida que sua permanência neste mundo é somente como um “Guer”, ou seja, aquele que não vive em sua própria terra, senão numa terra estranha. E somente no futuro, quando chegar ao mundo da verdade, o qual é formado totalmente de pureza e santidade – poderá dizer que tem sua moradia fixa.

Por isso Moshe deu a seu primeiro filho o nome de Guershom – isto serviria como um sinal que adverte e faz lembrar, a si mesmo e a toda a sua família, sobre sua condição naquela terra – nós vivemos aqui, porém somos somente estrangeiros – um cidadão nômade que sabe que seu verdadeiro lugar não é aqui, senão na terra sagrada de Israel, onde fica a “casa de D’us” e para onde os olhos de D’us estão voltados desde o princípio do ano, até o seu término.

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