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Vayishlach – por Rav Netanel Tzippel

11.03.11  |   Parasha  |  Marcella Becker

BS”D

Yaakov se preparou muito tempo para seu reencontro com seu irmão, Essav. Depois de longos anos de exílio na casa de seu sogro, Lavan, depois de enviar presentes a seu irmão como um ato de conciliação, Yaakov reza do fundo de seu coração. Ele não sabia qual seria o destino deste encontro, será que Essav virá em paz ou para gurrear? Só um fato é certo, eles se encontrarão em breve!!!

Yaakov reza de forma clara: “Salve-me, por favor, das mãos de meu irmão, das mãos de Essav” Esta parte de sua reza, que ocorre alguns momentos antes do encontro, levam os explicadores a uma pergunta muito séria.

Por que Yaakov repete seu pedido duas vezes? Por que ele pede a salvação das mãos de seu irmão e de Essav? Por acaso Yaakov tinha mais algum irmão? É claro que o único irmão dele é Essav, então por que Yaakov frisa seu parentsco com ele? Como nós já escrevemos no passado, cada palavra da Torá vem nos ensinar algo, por isso temos que entender o porquê de Yaakov assinalar “Essav” como “meu irmão”.

Os explicadores da Torá nos respondem que quando Yaakov soube que Essav estava a caminho, entendeu que haviam duas possibilidades: ou agiria como “meu irmão” – se dirigiria a ele com amor e afeição. Ou agiria como “Essav” – ele viria em estado de guerra para matá-lo por seu grande ódio. Em outras palavras, Essav poderá vir como seu irmão que o ama, mas por outro lado poderá aparecer como aquele que o odeia.

De acordo com estas duas possibilidades, Yaakov compôs sua reza!

“Me salve das mãos de meu irmão” – Por favor, D’us, me salve da possibilidade de Essav fingir que é uma pessoa que me ama, Parecendo ser aquele que só quer o meu bem, assim me influeciar e me levar a morte. Porém, a vardade é que me salve “das mãos de Essav” – Por favor, meu D’us, me proteja da possibilidade dele, mesmo que fingindo ser meu irmão, meu amigo, ele ainda seja Essav que me odeia! Um inimigo que se disfarça de amigo é a pior possibilidade.

Os Baalei Hamussar (os rabinos da ética) nos explicaram que esta é a forma que o Yetzar Hará (nosso instinto mal) age também. Às vezes ele tenta induzir uma pessoa a transgressão de um preceito enquanto ele está ‘fantasiado’. Ele nos faz pensar que esta transgreção é, na verdade, uma mitzvá (mandamento), e assim o convence. Um exemplo claro disto é o lashon hará (falar dos outros) com objetivo de salvar ou resolver problemas. Lashon Hará é proibido, porém se ele tem o objetivo de salvar ou resolver algum problema, ele é permitido. Às vezes o nosso yetzer hará tenta nos convencer a falar de outras pessoas (Lashon Hará) alegando falsamente, em nossa cabeça, que neste caso é permitido… aquilo que ‘ele’ fez não só é permitido contar como é uma obrigação nossa fazer com que todos saibam… O nosso instinto mal tentou transformar algo que é totalmente proibido em uma mitzvá (mandamento). Esta é a verdadeira reza que faz Yaakov, não fraquejar e se confundir pela fantasia criada pelo seu Yetzer Hará (instinto mal) que o faz pensar que é o Ytzer Hatov (o instinto positivo) – como consequência do verdadeiro “Essav” fantasiado de “meu irmão”…

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