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Vayerá – por Rav Netanel Tzippel

11.03.11  |   Parasha  |  Marcella Becker

BS”D

Avraham Avinu, Patriarca do povo judeu recebeu o mandamento do Brith Milá (circuncisão) numa idade muito avançada. Ele tinha 99 anos no dia em que se circuncidou. O terceiro dia depois desta operação é o dia mais dolorido de todos. Justo neste dia Avraham ficou sentado a porta de sua tenda. A Guemará nos conta que este tinha sido um dia extremamente quente, onde o sol iluminava e esquentava com toda a sua força! Isto foi causado por D’us, para que Avraham pudesse descansar depois de fazer o Brith Milá (circuncisão), sem a interrupção de visitas inesperadas. Mas Avraham não se deixou descansar, ele sentou a espera de mais uma mitzvá, receber visitas. Como Avraham desejava por este importante ato de bondade, D’us lhe mandou três anjos em forma de homens para dar a oportunidade de Avraham recebê-los.

Os três entraram em sua casa, e a Torá nos conta que lhes foram servidos bolos, carne e água. Tanto no preparo dos bolos, da carne quanto no ato de serví-los com manteiga e leite, a Torá frisa que Avraham era bastante generoso. “Três ‘seim’(medida de volume) de farinha” – uma quantidade bem grande. “Tomou um boi de carne macia e boa” – nossos sábios acrescentam que Avraham abateu um boi para cada visitante, três no total. Sem restrições de gastos, lhes foi servido um banquete digno de reis.

Em contraposição, quando chegou o momento de servir o básico, aquilo que os viajantes mais esperam depois de sua longa jornada – a água, a Torá frisa: “será trazida pouca água”, sem a generosidade de sempre – pouca água! Por que justo na água Avraham poupou e não serviu em abundância como costumava?

Os explicadores da Torá nos esclaressem – quando Avraham ou sua esposa Sarah preparavam a comida, como os bolos ou a carne, estes eram servidos em abundância, já que foram preparados por eles mesmos. Avraham se esforçou, trabalhou, deu duro e serviu – quando o trabalho é dele e de sua esposa é permitido servir em quantidade, ele pode exigir de si mesmo este esforço. Porém, ao servir a água, Avraham precisava de ajuda! Como está escrito “será trazida pouca água”, por outra pessoa (não está escrito ‘trarei’), provavelmente algum dos servos de Avraham era responsável por esta tarefa.

Se a tarefa exige um esforço adicional de uma outra pessoa, mesmo que este seja um servo, Avraham e Sarah não podem exigí-lo. Eles não podem ser chamados de bondosos e bons anfitriões se para isso outras pessoas têm que trabalhar mais pesado. Por isso Avraham pediu de seu servo que trouxesse somente “pouca água” – seu servo não tem que trabalhar mais que o suficiente para suprir a necessidade dos visitantes. Avraham não se permitia fazer mais do que o necessário ao cumprir uma mitzvá se para isso ele depende do esforço de outra pessoa.

 

Uma importante lição de moral aprendemos de Avraham. É muito importante correr atrás de Mitzvot (boas ações) e cumprí-las sem poupar esforços, mas temos que utilizar de nossos esforços para isto. Porém é proibido usar do trabalho dos outros para justificar nosso ‘bom nome’ – sou um Tzadik (justo). A tua bondade não pode sobrecarregar teu próximo!

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