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Vaishlach – por Rav Netanel Tzippel

11.03.11  |   Parasha  |  Marcella Becker

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A peregrinação de nossos patriarcas é um ponto central na história de suas vidas. Todos os três tiveram, por motivos diversos, que se mudar de seus lugares de residência. Assim aconteceu com Avraham, nosso primeiro patriarca. Por causa de um terrível período de fome que assolou a terra de Canaã, ele teve que descer ao Egito. Sobre esse episódio, conta a Torá que ao chegarem ao Egito, Sara sua esposa foi pega à força e levada para o palácio do faraó. Com isso, o faraó e seus súditos foram castigados com doenças horríveis até que a libertaram e ainda lhe deram muitos presentes como forma de se desculpar pelo incidente.

Se nos aprofundarmos na história de nossos patriarcas, veremos que tudo o que aconteceu com eles também aconteceu com seus descendentes. Tudo o que Avraham passou, também acabou por acontecer com seus filhos de uma forma muito mais ampla. Eles também tiveram que descer ao Egito, sofreram de forma inimaginável e, ao final de tudo, saíram de lá de cabeça erguida e muitas riquezas.

Os momentos de dificuldade dos patriarcas não terminaram com o exílio de Avraham no Egito. Também Itzhak necessitou mudar de cidade por causa de outro período de fome na região onde morava. Porém, diferente de Avraham, ele não foi até o Egito. D’us ordenou que ele não deveria sair da terra de Canaã, por isso ele acabou indo para a terra dos filisteus, considerada parte de Canaã. Para esse episódio encontramos também uma analogia ao que iria acontecer muitos anos depois com seus descendentes.

Podemos traçar um paralelo entre a saída de Itzhak para a terra dos filisteus e o segundo exílio que o povo de Israel foi levado: o da Babilônia. Este exílio, relativamente pequeno, acabou com regresso do povo de Israel à sua terra e a construção do segundo Beit Hamikdash.

Os acontecimentos na vida de Yaacov são análogos ao que aconteceram com nosso povo durante a destruição do segundo Beit Hamikdash e o longo exílio que se deu por conta disso. Yaacov teve que se ausentar de sua casa por muitos anos, da mesma forma que este último exílio se estende por muitos anos.

As três orações que fazemos diariamente estão relacionadas aos três patriarcas. Avraham decretou a oração da manhã, Itzhak da tarde e Yaacov a da noite. As orações são uma forma de conversar pessoalmente com D’us. Yaacov decretou a oração da noite simbolizando o que iria acontecer com seus descendentes pelas próximas gerações. Ele quis mostrar que, mesmo na escuridão do exílio, não se deve relaxar na busca da conexão com o Criador. A escuridão existe justamente para que o povo de Israel possa erguer seus olhos para D’us. Uma vez que eles não se comportaram adequadamente e “o sol se pôs”, agora deveriam revelar a presença divina na escuridão e no oculto.

Porém, devemos saber que a escuridão não é eterna, apenas momentânea. Durante o exílio, o povo de Israel passou por grandes testes e muitas lutas difíceis. Da mesma forma, Yaacov teve que lutar contra o anjo de Essav. Ele se impôs, foi perseverante e venceu, como está escrito que ele lutou com o anjo: “até o sol raiar”. Também nós, mesmo com a escuridão do exílio, devemos nos unir com orações e esperança, para que em breve a luz possa novamente aparecer e tenhamos o mérito da redenção completa.

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