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Vaietse – por Rav Netanel Tzippel

11.03.11  |   Parasha  |  Marcella Becker

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“E se me der pão para comer e vestimentas para me cobrir”

Em seus pedidos, Yaacov especifi ca o objetivo do pão e da vestimenta. Ele enfatiza que seu objetivo com o pão é para comer e a vestimenta para se cobrir. Essas palavras parecem, a princípio, sem necessidade, pois para que uma pessoa pede pão senão para comer? E o que mais uma pessoa poderia fazer com a vestimenta, senão vesti-la?

Porém, existem pessoas que sua necessidade por vestimentas vai além do simples fato de se vestir. Elas necessitam roupas elitizadas, de cores da moda e modelos diferenciados. Elas não se contentam com o que já possuem e têm a necessidade de possuir tudo o que seus olhos vêem. Mas esse não é o modelo de vida de Yaacov, pois ele pede para que receba comida o suficiente para sobreviver e não mais. Para ele, basta uma quantidade que o satisfaça, não está preocupado em acumular mais e mais. E não só isso, mesmo quando pede o suficiente para se satisfazer, ele pede do mais básico: pão. Uma vez que ele tem pão, já é o suficiente para comer e se satisfazer e, se há roupa, pode se vestir e com isso já lhe basta. Se satisfazer com pouco é um sinal de pureza. E o contrário também é verdade. Um dos sinais para que saibamos que aves são impuras e, portanto, impróprias para o consumo, é o fato de ela ser uma ave predadora. Elas não se contentam com pouco e, por isso, estraçalham tudo o que podem. Por outro lado, os animais ruminantes, uma vez que se satisfazem com pouco e  passam horas consumindo o mesmo alimento, são kasher e, portanto, próprios para o consumo entre judeus. No momento em que está comendo e digerindo seu alimento, eles não procuram outros lugares onde possam encontrar comida, apenas utilizam o que já tem em mãos.

Esta virtude de Yaacov se torna evidente no momento em que se encontra com seu irmão Essav. Quando ele pede para que Essav receba seus presentes, diz: “Receba, por favor, minha bênção que trago a você, pois D’us me deu sua graça e por isso tenho tudo”. Yaacov deixa claro que ele tem tudo que necessita. Há muitas coisas no mundo que ele não tem. Porém, o que ele necessita, tem de tudo. Por outro lado, Essav diz: “tenho muito” – muito mais do que necessito. Podemos ainda explicar, semelhante ao que Rashi diz, que Essav utiliza a palavra “muito” como alguém que quer dizer que tem muito, porém não tudo, pois há coisas que estão faltando para ele. Ele não se satisfaz com o que tem e quer sempre mais, mesmo que já tenha muito. Yaacov, por sua vez, considera quem tem “tudo”, pois tem tudo o que necessita e não lhe falta nada.

No Pirkei Avot, a Ética dos Pais, está escrito: “Assim é o caminho da Torá, pão com água comerás, água sob medida beberás, sobre a terra dormirás e uma vida de sofrimento viverás. Se fizeres assim, bem-aventurado serás neste mundo e no mundo vindouro”. É fácil de entender que este estilo de vida leva a uma boa vida do mundo vindouro. Porém, a grande novidade aqui é que este mesmo estilo de vida também pode trazer felicidade mesmo neste mundo, já que quem traça para si este caminho é aquele que está contente com o que tem.

Aquele que consegue para si a virtude de se satisfazer com o pouco em relação ao material e está feliz com o que tem, consegue trazer para si uma paz interior, sem inveja e, por conseguinte, somente com paz e amizade.

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