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Uma visão mais profunda – por Rav Fabian Nigri

13.04.11  |   Chaguim  |  Marcella Becker

בס”ד

UMA VISÃO MAIS PROFUNDA SOBRE AS FESTAS E PESSACH

(Baseado nos escritos do Ramcha”l  Zi”a)

O sentido das festas em geral

O ciclo do ano judaico é algo muito interessante. É comparado a um trem que passa de estação em estação, e assim volta fazer esse itinerário todo o ano.

Explicando melhor, cada festa judaica  é comemorada em lembrança a algum episódio que aconteceu naquela época do ano. Por exemplo: Pessach lembra a saída do Egito que foi no dia 15 de Nissan. Assim todo ano nessa mesma data  lembramos este fato e assim também com relação a todas as festividades.

O mais importante é estar consciente de que qualquer festividade não é tão somente uma lembrança do passado, porém algo muito mais profundo. Nós recebemos uma luz muito especial dos mundos superiores que transmite a cada um de nós uma força especial.

Para entendermos melhor a transcendência do assunto, devemos saber que em cada episódio ocorrido na época lembrada pela respectiva festividade, ocorreu uma mudança neste nosso mundo terrestre. E esta mudança é uma consequência do que aconteceu nos mundos celestiais.  Desceu uma luz muito especial que elevou espiritualmente a humanidade, e especialmente o povo judeu,  naquele momento. Por exemplo:  na saída do Egito, tantos milagres aconteceram porque, naquele momento Hashem nos abençoou com a luz da liberdade , uma liberdade verdadeira. Assim também em Shavuot, 49 dias depois da saída do Egito, Hashem nos deu a luz da Torá (que mudou a humanidade), e, assim, em cada episódio Hashem se revelou e deu uma Beracha especial.

Assim cada ano que passa, quando chega a data de tal episódio, se renova aquela força dada naquele instante, e temos a chance de ganhar aquela luz todo ano e ano. Assim explicam os livros mais profundos, que através de cada festa vamos revelando e recebendo novas luzes  e bênçãos ligadas ao episódio passado naquela data. É como se aquele episódio estivesse acontecendo agora!

Só que essa luz vem, mas não necessariamente conseguimos absorve-la. Para isso Hashem nos explicou de que maneira conseguir captá-las. Isso se dá através das mitzvot de cada festa, que são como a nossa preparação para podermos captar e absorver aquela luz que está brilhando naquele exato momento.  Por isso a grande importância de cumprir todos os detalhes das festas.Vamos agora tentar entender  o segredo do Pessach baseado no que foi relatado acima.

Assim explica o Ramcha”l  Zi”a (Rabino Moshê Chaim Luzzato) no seu livro “O caminho de D”s ” (livro que aconselho a todos a lerem, por conter a base de toda a Torá,  explicada a partir  de uma visão muito profunda e muito clara). Na 4ª parte final do 7º capítulo :

“… A sabedoria suprema também decretou que fosse dada a Israel santidade adicional, concedendo-lhes dias sagrados…quando o judeu recebe diversos níveis de santidade. …”

Assim ele explica o porquê de ser proibido o trabalho nas festas, e ter vários níveis:  Iom Tov (com mais proibições),  Chol Hamoed (quando é permitido fazer mais coisas,  mas nem tudo) etc.

O grau em que uma pessoa precisa se  abster das ocupações mundanas  nesses dias , depende do nível de sua influência (de cada dia)… Todos esses níveis dependem da emanação específica concedida, assim como da Luz que brilha em cada dia particular.”

E como explicamos acima, cada festividade traz de volta aquela força que aconteceu na data que está sendo comemorada.

“A Sabedoria Suprema decretou que em cada aniversario desse período (em cada festividade) uma contrapartida de sua luz original brilhasse e que os resultados de sua retificação fossem renovados, para aqueles que a aceitassem (para isso existem todas as regras de cada festa )”.

Pessach em particular

Baseado na introdução acima sobre todas as festas, vamos agora,  se D”s permitir, nos aprofundar sobre nossa festa, o Pessach. Para isso vamos de novo nos basear nas santas palavras do nosso mestre Ramcha”l. Na 4ª parte, capitulo 8 :

” O significado da matzá esta relacionado com o êxodo do Egito. Até o êxodo, Israel estava assimilado entre outros povos, uma nação no meio de outra. Com o êxodo, eles foram redimidos e separados. Até aquela época, todos os aspectos do ser humano estavam obscurecidos pela opacidade espiritual e a poluição que os superavam (quer dizer que toda a humanidade ainda estava muito impura). ”

Até o êxodo do Egito, toda a humanidade ainda estava com a impureza pós- pecado de Adão, nos livros da Cabalá é chamado de “zuhamat hanachash” (a impureza da cobra),  significando a impureza que a cobra colocou no homem após o pecado de Adão que deixou o ser humano num nível espiritual muito baixo.  Nesse estágio era muito difícil para se ligar a D”s.

“Com o êxodo, os judeus foram separados, para terem a oportunidade de purificar seus corpos e se prepararem para receber a Torá e para a dedicação a D´s. Para que isto fosse possível, receberam a ordem de se desfazerem da levedura (chametz) e comer a matzá.
O pão está destinado a ser o alimento fundamental do homem, e ele é, pois, exatamente o necessário para o estado que D´s desejou para o ser humano, neste mundo. A levedura (chametz) é um elemento natural do pão que o torna mais  digestivo e saboroso. Isso também resulta da própria natureza do homem, porque ele precisa ter um impulso para o mal (ietzer hará) e uma inclinação para o físico.
Porém, numa época especial determinada, foi ordenado ao povo de Israel que se abstivesse da levedura (chametz), e que se alimentasse com matzá, que é pão sem levedura (chametz). Isto reduziu  o impulso para o mal de  cada individuo, e sua inclinação para o físico, aumentando sua proximidade do espiritual.
Contudo seria impossível que o homem se alimentasse constantemente dessa maneira, porque esse não é o estado desejado para ele neste mundo. Logo, esta prática é observada somente em determinados dias, quando ele precisa estar num nível superior mais adequado. Este é o conceito principal de Pessach, a festa das matzot.
Os outros rituais da noite do “seder” também constituem muitos detalhes correspondentes aos diversos aspectos peculiares da redenção do Egito.”

Resumindo, na saída do Egito, fomos separados dos outros povos e escolhidos por D”s dentre as outras nações, uma chance inédita na face da terra. O mesmo acontece todo ano em Pessach, quando temos a chance de nos aproximar mais de D”s , mesmo que durante o ano isto seja muito difícil, pois o lado do mal (Ietzer Hará) está dentro de nós; no Pessach nos livramos dele, ficando muito mais fácil.

É por isso que o Pessach é a festa da liberdade, onde conseguimos nos libertar do nosso instinto, e conseguimos alcançar  a verdade.

Vamos aproveitar esse Pessach, para mudar nossas vidas , e nos tornarmos  livres  para  sempre, juntos a  D”s!  Essa é a hora!

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