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Shemot – por Eduardo Rapopot, baseado em uma aula do Rav Aharon Lichtenstein

11.03.11  |   Parasha  |  Marcella Becker

BS”D

Na parashat Vaichi, que conclui o sêfer Bereshit, a Torá relata de forma otimista o assentamento da família de Yaacov em Goshen, ressaltando a situação econômica estável e a autonomia concedida; seus filhos estudavam na Yeshivá (Rashi 46:28) e eles vivam uma sensação de paz e segurança.

Logo na abertura de sêfer Shemót, nos deparamos com uma trágica queda: os filhos de Israel são subjugados e submetidos a trabalhos extenuantes. As crianças, em vez de criadas junto a seus pais, passam a ser jogadas no rio. A presença divina (Shechiná) entre os homens dá lugar à ocultação (“hester panim”). Rashi explica da parte em que fala que D’us passou a “prestar atenção ao que estava acontecendo a eles” aprendemos que até então a situação era inversa. Ramban reforça esta idéia: “Inicialmente Ele escondeu Sua face deles, e eles foram então consumidos… agora, D’us escutou seu clamor”.

Apesar disto, encontramos lugar para otimismo. Enquanto Vaichi marca o fim da época dos patriarcas, em Shemót a família se torna o “povo de benei Israel”! Este povo vai de uma severa escravidão para uma grande redenção, e de um completo “hester panim” até o auge da revelação, quando mereceram um encontro direto com a Shechiná. Já Moshê deixa de ser um “novato em profecia” (Midrash) para se tornar “adon haneviim” (maior dos profetas), chegando ao nível de “e o Eterno falava com Moshê face a face, como fala um homem com seu companheiro”.

Ramban explica na introdução ao livro de Shemót: “Quando deixaram o Egito, mesmo emergindo do estado de escravidão, ainda eram considerados como se estivessem no exílio, já que estavam em uma terra estrangeira, vagueando pelo deserto. Mas quando chegaram ao monte Sinai, construíram o Tabernáculo, e a presença de D’us voltou a residir entre eles, voltaram ao nível dos seus antepassados, de forma que o espírito do onipotente repousou sobre suas tendas e eles próprios eram considerados a “Merkava”. Só então foram considerados redimidos”.

Neste sentido, vemos agora uma situação bem superior. Em vez de repousar sobre indivíduos, a Shechiná desce sobre toda uma nação. A Torá se refere ao Egito como uma “fornalha de ferro” (Devarim 4:20), e o Zohar explica que a escravidão serviu para purificar Benei Israel. A submissão e o sofrimento eram necessário para o povo chegar ao nível em que a Shechiná residiria entre eles.

Apesar da dor e submissão, Am Israel continuou acreditando em D’us. Amram, por exemplo, demonstrou enorme confiança ao casar novamente com Yocheved, recusando-se a aceitar o decreto do Faraó. Fica a lição: nunca devemos perder a esperança, não importa quão difícil pareça a situação.

Assim como as dificuldades decorrentes da passagem pelo Egito representaram uma queda, para uma posterior elevação, sabemos que todas as dificuldades que nosso povo passa são o prenúncio da grande época que está chegando.

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