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Pessach, nossa liberdade

01.04.11  |   Chaguim  |  Marcella Becker

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Estamos nos aproximando da festa de Pessach. Não resta dúvida de que Pessach é uma das festas mais conhecidas de nossa tradição. Festa da liberdade, repleta de alegria, de união entre todos os grupos do povo de Israel. Todos os costumes da noite do seder compreendem não somente costumes de homens livres, mas também costumes típicos da realeza. Nossas refeições diárias são mesas de homens livres, não de escravos – nós comemos e bebemos o que escolhemos, o que nós mesmos resolvemos comprar, com a finalidade que desejamos dar a cada refeição, porém na noite de Pessach, a mesa do seder é a mesa de refeições da realeza.

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Sobre a mesa na noite do seder, bandejas e talheres de prata são usados, muita luz e velas, louça especial, comemos reclinados sobre almofadas especiais, tudo exatamente como os reis e rainhas. E tudo isso por quê? Para demonstrar que não saímos da escravidão para a libertação e sim para a liberdade propriamente, e homens livres de verdade são como reis, tem total controle sobre as suas vidas, o que um escravo não tem. A verdade é que, se pensarmos bem, o que tem de ruim em ser um escravo? Por que desejamos tanto ser livres? Afinal, na realidade, aos escravos não há preocupações! Ele é apoiado em todos os sentidos pelo seu dono. O escravo não se preocupa com o seu sustento, habitação, despesas familiares, etc. Não é de surpreender que existam trabalhadores que não desejam ser livres. Na Torá está escrito: “Se o escravo disser: – Gosto do meu senhor, minha esposa e meus filhos, não sairemos da escravidão”. Se ele diz isso é porque está satisfeito com a escravidão. Nossos antepassados ao saírem do Egito, apesar de terem tudo o que era necessário para a sobrevivência, uma vez que D´s se preocupou mesmo no deserto em suprir as necessidades do povo com água, comida, carne, lavagem de roupa e até com “ar condicionado”, através da nuvem que fazia sombra ao acompanhá-los, mesmo assim reclamaram diversas vezes e se referiram com saudades ao tempo da escravidão.

E assim falaram nossos patriarcas, “lembramos do peixe que comíamos no Egito de graça, da abobrinha, a laencia, o trigo, as cebolas e o alho”. Com tudo isso, então, o que falta ao escravo? Por que nós todos buscamos a liberdade? A explicação vem no fato de que apesar de tudo o que tem, o escravo não possui o tempo. Seu tempo pertence ao seu senhor. O espaço, ele também não tem, já que o espaço pertence ao seu senhor e este determina onde o escravo estará e quando. O maior presente que o homem recebe é poder decidir o que fazer o que fazer com o seu tempo e administrá-lo como bem entender. Por isso, os costumes de Pessach e seus preceitos dão tanta importância ao tempo. Em quantos minutos exatamente deve ser assada a matsá, em que horário exato deve-se parar de comer chametz, em que horário deve-se queimar o chametz, qual o horário limite para se comer o aficoman na noite do seder, tudo contado em minutos e até em segundos, numa tabela que sai ao público antes do início de Pessach. A emsagem é: saiba que cada instante tem significado! Quanto mais você controla o tempo, mais livre você é! Pessach vem nos apontar o grande presente que recebemos com a libertação. A primeira mitsvá (preceito) que vem após a saída do Egito é ligada com o tempo: “Este mês é o primeiro dos meses para vocês”. A palavra vocês em hebraico, “lachem” (לכם), possui as mesmas letras de rei – “melech” (מלך). Seo tempo for seu, você será rei!

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O rei não pode ir para onde desejar, somente se receber a autorização de seus seguranças. O rei não veste o que desejar, o rei precisa agir de acordo com as normas da realeza, se colsulta com seus auxiliares para questões legais, o rei está o tempo todo iluminado pelos refletores, e a imprensa está junto dele, querendo ou não – fora muitas outras limitações e leis minuciosas e detalhadas. Se é assim, porque as pessoas buscam receber sobre si a liderança, realeza e governo? Para ser rei, a pessoa tem que viver a todo momento de acordo com regras claras detalhadas e fixas. Só aquele que conseguir entrar nesta definição, terá a chance de sucesso em seu reinado – e isto é o que todos estão esperando dele. Moshê recebeu de D´s a função de libertar os filhos de Israel da escravidão do Egito, ele perguntou: “É realmente para tirar os filhos de Israel do Egito, qual a vantagem que eles terão em suas personalidades se saírem”, então D´s responde: “Vocês Me serviram naquele lugar” – Monte Sinai. Vocês receberão leis e regras eternas, seguindo-as, vocês poderão agir como reis, portanto sua saída do Egito não será a mudança da escravidão para a “libertação”, senão da escravidão para a liberdade com o significado de “a pessoa não é livre até se ocupar com a Torá” – as leis, regras e mandamentos que vieram nos transformar em reis.

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A noite do seder de Pessach não é uma noite em que simplesmente se come matsá com vinho junto com outras comidas gostosas. É a noite em que contamos a Hagadá, a história da saída do Egito, a história de nossa conexão com a liberdade, de nossa conexão com nossos antepassados e com nossa descendência, nossos filhos. Tudo isso através da obrigação e da responsabilidade que recebemos sobre nós, no Monte Sinai, no ato de recebimento da Torá.

com os cumprimentos de Pessach Kasher VeSameach,

Rav Netanel Tzippel

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