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Os sionistas não fizeram qualquer esforço para alcançar um acordo com os árabes

07.02.11  |   Conflito  |  Marcella Becker

MITO

“Os sionistas não fizeram qualquer esforço para alcançar um acordo com os árabes”.

FATO

Em 1913, a liderança sionista reconheceu o desejo de chegar a um acordo com os árabes. Sami Hochberg, dono do jornal Le Jeune-Turc, representou informalmente os sionistas numa reunião com o Partido da Descentralização,com sede no Cairo, e com a Sociedade da Reforma Anti-Otomana de Beirute, e pôde chegar a um acordo. Essa entente verbale levou à adoção de uma resolução que garantia aos judeus direitos iguais sob um governo descentralizado. Hochberg também recebeu um convite para o I Congresso Árabe, em Paris, em junho de 1913. Os participantes do congresso foram surpreendentemente receptivos às aspirações sionistas. Hochberg ficou estimulado pela resposta favorável do Congresso à entente verbale.

Abd-ul-Hamid Yahrawi, presidente do Congresso, resumiu assim a atitude dos delegados:

“Todos nós, muçulmanos e cristãos, temos os melhores sentimentos para com os judeus. Quando falamos, em nossas resoluções, sobre os direitos e obrigações dos sírios, isso também incluía os judeus. Por serem nossos irmãos de raça e os considerarmos como sírios que foram forçados a deixar seu país em um dado tempo, mas cujos corações sempre bateram junto aos nossos, estamos certos de que nossos irmãos judeus ao redor do mundo saberão como nos ajudar de modo que nossos interesses comuns possam ser bem-sucedidos e nosso país em comum venha a se desenvolver tanto material quanto moralmente”.

A entente verbale negociada por Hochberg mostrou-se ineficaz devido aos acontecimentos do período de guerra. A oposição árabe pública à Declaração Balfour convenceu os líderes sionistas da necessidade de um esforço conjunto maior para se alcançar um entendimento com os árabes. Chaim Weizmann considerou a tarefa importante o suficiente para liderar uma comissão sionista à Palestina, a fim de explicar os objetivos do movimento aos árabes. Weizmann foi primeiro ao Cairo, em março de 1918, e se reuniu com Said Shukeir, Faris Nimr e Suleiman Bey Nassif (nacionalistas árabes sírios escolhidos como representantes pelos britânicos) e enfatizou o desejo de viver em harmonia com os árabes numa Palestina britânica.

A diplomacia de Weizmann foi bem-sucedida. Nassif afirmou que “havia espaço na Palestina para outro milhão de habitantes sem afetar a posição dos que já se encontravam ali” Faris Nimr distribuiu a informação aos jornais do Cairo, a fim de desfazer as impressões equivocadas do público árabe a respeito dos objetivos sionistas

Em 1921, Winston Churchill, então ministro das Colônias do Império Britânico, tentou organizar uma reunião de palestinos e sionistas. As duas partes se reuniram em 29 de novembro de 1921, mas não houve progresso porque os árabes insistiram na anulação da Declaração Balfour.

Weizman liderou um grupo de sionistas que se reuniu com o nacionalista sírio Riad al-Sulh em 1921. Os sionistas concordaram em apoiar as aspirações nacionalistas árabes e Sulh lhes disse que estava disposto a reconhecer a existência do Lar Nacional Judaico. As conversações foram retomadas um ano depois e suscitaram esperanças de um acordo. No entanto, em maio de 1923, os esforços de Sulh para convencer os líderes árabe-palestinos de que o sionismo era um fato consumado foram rejeitados.

Nos 25 anos seguintes, líderes sionistas de dentro e de fora da Palestina tentariam repetidamente negociar com os árabes. Do mesmo modo, desde 1948 os líderes israelenses têm procurado assinar tratados de paz com os países árabes, mas o Egito e a Jordânia são as únicas nações que os assinaram.

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