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Os britânicos ajudaram os palestinos a viver em paz com os judeus

07.02.11  |   Conflito  |  Marcella Becker

MITO

“Os britânicos ajudaram os palestinos a viver em paz com os judeus”.

FATO

Em 1921, Haj Amin el-Husseini primeiro começou a organizar os fedayin (“os que se sacrificam”) para aterrorizar os judeus. Haj Amin esperava duplicar o sucesso de Kemal Atatürk na Turquia e expulsar os judeus da Palestina assim como Kemal fez com os invasores gregos de seu país. Os árabes radicais eram capazes de obter influência porque a administração britânica não estava disposta a agir efetivamente contra eles, até que, por fim, esses se rebelaram contra o governo britânico.

O coronel Richard Meinertzhagen, ex-chefe da inteligência militar britânica no Cairo e, mais tarde, secretário-chefe de Política para Palestina e Síria, escreveu em seu diário que os dirigentes britânicos “estão propensos à exclusão do sionismo na Palestina”. De fato, os britânicos estimularam os palestinos a atacar os judeus. Segundo Meinertzhagen, o Coronel Waters Taylor (assessor financeiro da Administração Militar na Palestina entre 1919 e 1923) se reuniu com Haj Amin alguns dias antes da Páscoa, em 1920 e disse “que ele tinha uma grande oportunidade, na Páscoa, de mostrar ao mundo (…) que o sionismo era tão impopular junto à Administração Palestina como em Whitehall (sede do Ministério do Exterior britânico), se na Páscoa ocorressem distúrbios bastante violentos em Jerusalém, tanto o General Bols (administrador-chefe da Palestina em 1919-1920) quanto o General Allenby (comandante da Força Egípcia entre 1917 e 1919 e, em seguida, alto-comissário do Egito) defenderiam o abandono da idéia de se criar o Lar Nacional Judaico. Waters Taylors explicou que a liberdade só poderia ser alcançada pela violência”.

Haj Amin aceitou o conselho do coronel e provocou uma rebelião. Os britânicos retiraram suas tropas e a polícia judaica de Jerusalém, permitindo que a multidão árabe atacasse os judeus e saqueasse seus estabelecimentos comerciais. Os ingleses prenderam Haj Amin porque instigava o pogrom. Todavia, ele escapou e foi sentenciado, à revelia, a dez anos de prisão Um ano depois, alguns arabistas britânicos convenceram o alto-comissário Herbert Samuel a perdoar Haj Amin e a nomeá-lo Mufti. Em contrapartida, Vladimir Jabotinsky e muitos de seus seguidores, que haviam formado uma organização de defesa judaica durante a revolta, foram sentenciados a 15 anos de prisão.

Samuel reuniu-se com Haj Amin em 11 de abril de 1921 e recebeu garantias de que “as suas influências, bem como de sua família, seriam dedicadas à tranqüilidade”. Três semanas depois, rebeliões em Iafo e em outras partes deixaram 43 judeus mortos. Haj Amin consolidou seu poder e passou a controlar todos os fundos religiosos muçulmanos na Palestina. Ele usou sua autoridade para controlar mesquitas, escolas e tribunais. Nenhum árabe podia alcançar uma posição influente sem ser leal ao Mufti. Seu poder era tão absoluto que “nenhum muçulmano da Palestina podia nascer ou morrer sem comprometer-se com Haj Amin”.

Os partidários do Mufti também agiam de modo que ele não sofresse oposição, matando sistematicamente os palestinos de clãs rivais que discutiam a cooperação com os judeus.

Como porta-voz dos árabes palestinos, em vez de Haj Amin pedir que a Grã-Bretanha lhes concedesse a independência, exigiu, em carta a Churchill em 1921, que a Palestina fosse reunificada à Síria e à Transjordânia.

Os árabes descobriram que se rebelar era um instrumento político efetivo diante das fracas atitude e resposta por parte dos britânicos à violência contra judeus. Ao lidar com cada revolta, os britânicos faziam de tudo para impedir que os judeus se protegessem e pouco ou nenhum esforço para evitar que os árabes os atacassem. Após cada conflito, uma comissão britânica de investigação tentava estabelecer a causa da violência. A conclusão era sempre a mesma: os árabes temiam ser desalojados por judeus. Para deter as revoltas, as comissões recomendavam que fossem estabelecidas restrições à imigração judaica. Assim, os árabes perceberam que sempre poderiam deter o influxo de judeus por meio de uma rebelião. Esse ciclo começou após uma série de rebeliões em maio de 1921. Após deixarem de proteger a comunidade judaica das multidões árabes, os britânicos nomearam a Comissão Haycraft para investigar a causa da violência. Embora a comissão tenha concluído que os árabes haviam sido os agressores, racionalizou a causa do ataque: “A causa fundamental das rebeliões foi um sentimento, entre os árabes, de  descontentamento e hostilidade para com os judeus por motivos políticos e econômicos, e relacionados à imigração judaica e à sua concepção de política sionista…”.

Uma conseqüência da violência foi a instituição de uma proibição temporária de imigração judaica. O temor dos árabes de serem “desalojados” ou “dominados” foi usado como pretexto para seus ataques impiedosos contra colonos judeus pacíficos. Deve-se notar também que essas rebeliões não eram inspiradas por um fervor nacionalista – nacionalistas teriam se rebelado contra seus dominadores britânicos –, mas motivadas por contendas raciais e incompreensão.

Em 1929 provocadores árabes conseguiram convencer as massas de que os judeus tinham planos para o Monte do Templo (uma tática que se repetiria em diversas ocasiões, a mais recente das quais em 2000, após a visita de Ariel Sharon). Um preceito religioso judaico no Muro Ocidental (Muro das Lamentações), que faz parte do Monte do Templo, serviu como catalisador para uma rebelião árabe contra judeus que se espalhou desde Jerusalém para outros povoados e cidades, incluindo Safed e Hebron. Mais uma vez, a administração britânica não se empenhou em evitar a violência e, depois que essa começou, nada fez para proteger a população judaica. Após seis dias de confrontos, os britânicos finalmente trouxeram tropas para sufocar os distúrbios. Nesse período, praticamente toda a população judaica de Hebron fugiu ou foi morta. No total, 133 judeus foram assassinados e 399 feridos nos pogroms.

 

Após o término das rebeliões, os britânicos fizeram uma investigação que resultou no Livro Branco de Passfield. Este dizia que “a imigração, a compra de terras e as políticas de assentamento da Organização Sionista já eram, ou estavam prestes a se tornar, prejudiciais aos interesses árabes. Fica entendido que a obrigação do Mandato com a comunidade não-judaica significa que os recursos para a Palestina devem ser reservados em primeiro lugar fundamentalmente para o crescimento da economia árabe…”.

Isso, obviamente, significava que era necessário impor restrições à imigração judaica e às aquisições de terra.

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