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O milagre de um sevivon – por Carla Habif

04.01.11  |   TORÁzinha  |  Marcella Becker

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Esta é a história de um sevivon que estava rodopiando junto com outros às vésperas de Chanuká! Um deles, recém-fabricado, ainda estava tentando entender sua função. Ele não compreendia todo o rodopio, nem a alegria das crianças ao realizarem aquele jogo. Então perguntou para o seu companheiro, de aspecto antigo e muito mais idade: “Amigo, por que estamos rodando assim?”. Ao que recebeu a resposta:

“É uma brincadeira. As crianças adaptaram nossa função original para uma forma alegre de lembrar sua história”. E o outro, ainda com muitos questionamentos, indagou: “Que história? Não poderiam simplesmente comprar um pião normal? Nós somos quadrados, temos letras e vejo velas à porta da casa todas as noites”.

Então o sevivon mais experiente começou a explicar para o novo companheiro: “Nossa função teve uma origem muito nobre. Na época, em Israel, os judeus tinham sido proibidos de estudar Torá. Então as crianças começaram a estudar em segredo e quando viam algum soldado, fingiam que estavam em grupo brincando, com objetos como nós, chamados sevivon. Um grupo de judeus, os Macabeus, decidiu enfrentar o exército do imperador, mesmo com bem menos homens e armas. E, com a ajuda de Hashem, ganharam esta batalha!” E as velas, por que vejo tantas velas, cada dia mais?”. Mais uma vez, entre os rodopios, recebeu uma resposta na ponta da língua: “As velas são para comemorar o milagre revelado. Depois de trazer a vitória para os yehudim, estes foram até seu Templo Sagrado e, na hora de acender a Menorá, não encontraram azeite puro… tinha que ser totalmente puro. De repente, acharam um potinho bem pequeninho que a iluminaria por um dia apenas, sendo que precisariam de oito no total para produzir mais. Só que, mais uma vez pelas mãos de Hakadosh Baruch Hu, a Menorá ficou acesa com esse pouquinho de azeite durante todos os oito dias. Por isso, a cada dia durante a festa de Chanuká, em cada casa judaica se acrescenta uma vela a mais”. Feliz com a explicação, o novo sevivon serviu feliz de brinquedo para as crianças e rodopiou com muita alegria!

Durante uma das brincadeiras, no entanto, os dois sevivonim se chocaram e o mais velho, também mais desgastado, acabou tendo sua haste quebrada. Por ser muito fina, era muito difícil de consertar. Geralmente, quando um sevivon quebra, é mais fácil comprar um novo. Mas a criança que era dona daquele sevivon gostava muito dele. Chateada, sentou-se ao lado do brinquedo quebrado e tomou-o em suas mãos. Analisando seu antigo e quebrado sevivon, pela primeira vez ele reparou em suas letras, uma em cada um dos quatro lados do brinquedo. Nun – Guimel – Hey – Shin. Os amigos, preocupados, sentaram- se ao lado do menino e perguntaram por que ele olhava tão fixamente para o objeto. Ao que o menino respondeu: “Nunca tinha reparado nessas letras. O que elas significam?”.

Um de seus colegas explicou: “Ness Gadol Haia Sham (um grande milagre aconteceu lá – em Eretz Israel). D’us, na realidade, nos deu mais do que a maravilha de um potinho de azeite durar oito dias inteiros. Com a força dos macabeus, Ele nos concedeu a vitória praticamente impossível na guerra em que lutaram. Você está triste porque o seu sevivon quebrou?”.

“Sim” – respondeu o menino – “Ele era do meu avô desde os tempos que ele morava na Polônia, passou pro meu pai e agora veio pra mim. Era a primeira vez que eu estava brincando com ele, foi como quebrar um pedacinho da história da minha família”. Os meninos, logo, se mobilizaram: “Ora, os yehudim daquela época não deixaram sua história ser quebrada. Um grupo muito forte se uniu e lutou por isso. Claro que só tiveram êxito pelas mãos de Hashem. Por que nós não tentamos?”. Imediatamente todos os meninos estavam dando idéias de como consertar aquela haste tão fina. Tiveram várias idéias e fizeram diversas tentativas, passaram horas ali, até que, enfim, conseguiram.

“Acho que dessa vez está direito. Nem parece que foi quebrado, mas… Será que ele agüenta rodar?”. Outro opinou: “Acho que não aguenta, está muito frágil. Melhor deixar ele assim”.

Mas o dono do sevivon já tinha tomado sua decisão: “Amigos, muito obrigado pela ajuda. Nem sei como agradecer, ele realmente parece intacto. Mas acho que deve voltar a girar. De que serve um sevivon, senão para cumprir sua função. Afinal, ele é parte da história da família, mas a história não pode parar!”. Então, com a atenção de todos, o menino girou seu brinquedo, confiante de que funcionaria. E funcionou!

“Uau” – disse um dos garotos – “já foi um milagre conseguirmos consertá-lo. E ele ainda funciona!”. Muito emocionado com a mobilização dos amigos, o dono do sevivon voltou pra sua casa aquele dia na hora da família acender as velas da chanukiá.

Ao ver o filho entrando com uma alegria esplêndida, a mãe do menino falou: “Filho, seu sorriso está brilhando! Mas seus olhos estão um pouco inchados, o que aconteceu?”. E o garoto respondeu: “Ah, mãe. Aconteceu um incidente e eu fiquei triste, chorei um pouco. Mas com a ajuda de alguns amigos o problema foi resolvido e minha alegria, agora, superou em dobro a dor que eu senti naquele momento”.

A mãe, alegre e inspirada pelas luzes das velas acesas, concluiu uma famosa frase de nossos sábios: “É, querido. Com um pouco de luz, pode-se afastar muita escuridão”. No dia seguinte, o menino brincou novamente com seu sevivon. Ele girou, girou, girou… Aquele dia, no outro ano e por mais muitos anos, até o dia em que aquele garoto presenteou seu próprio filho com o mesmo sevivon. Aquele pedacinho da história da família, uma vez quase foi quebrado. Mas com a força em grupo e a vontade de Hakadosh Baruch Hu ele permaneceu inteiro, continuando a girar por puro milagre. O objeto que representava uma herança de gerações continuou exercendo sua função e sendo utilizado para o que ele foi criado.

Que as velas de Chanuká nos inspirem a continuarmos a levar adiante nossa amada Torá, que muitas vezes tenta ser arrancada de nossos corações, e que nós possamos perceber todos os dias os milagres de Hashem – aqueles realizados em conjunto com nossas ações e também os revelados, mesmo com um simples acontecimento como o rodopio de um sevivon!

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