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Noach – por Rav Netanel Tzippel

11.03.11  |   Parasha  |  Marcella Becker

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A parashá desta semana começa com o versículo: “Estas são as gerações de Noach (Noé). Noach foi um homem justo, perfeito nas suas gerações, com D´us andou Noach”. A pergunta que surge é: por que a Torah restringe a qualidade que dá a Noach e escreve que apenas em suas gerações ele foi considerado justo? Rashi explica, assim, a palavra “em suas gerações” – alguns de nossos sábios o interpretam como alguém digno de louvor, quer dizer, se de qualquer forma Noach tivesse vivido em uma geração de justos e pessoas praticantes de boas ações, ele seria ainda mais justo do que agora – quando viveu numa geração de perversos. E há aqueles que interpretam como alguém que age por motivo de vergonha, quer dizer, comparando com a sua geração, ele era um justo. Caso Noach tivesse vivido durante a geração de Avraham, não teria nenhum tipo de consideração.

Então pergunta-se: se é possível interpretar com elogio ou louvor, por qual motivo explicam como algo ligado à vergonha? Isto e mais nada – a atitude vergonhosa é “caso fosse na geração de Avraham não seria considerado nada”. Por que a Torah escolhe Avinu (nosso Patriarca) e não outras pessoas consideradas justas?

A resposta aceita e que encontramos entre os muitos intérpretes (exegetas) é que, com relação a Noach, havia uma reivindicação.

Como, durante tantos anos, ele advertiu os membros de sua geração de que o Eterno trazia, no futuro, um grande dilúvio sobre o mundo mas, durante todo esse tempo ele não orou por essas pessoas nem uma única vez? Talvez Noach os tivesse repreendido por suas atitudes, mas não orou a D´us para que não mandasse um dilúvio sobre a terra. Ele deveria agir como Avraham Avinu, como nos conta a Torah a respeito da cidade de Sodoma, que era pervertida e repleta de pecados. D´us queria castigá-la e destruí-la, mas Avraham orou e pediu ao Eterno que não a destruísse, tentou com todas as suas forças salvar Sodoma. Avraham disse: quem sabe encontraremos cinqüenta justos, ou quarenta, até que chegou o número de dez justos – e tudo isso apesar das pessoas da cidade serem perversas e quase não se via entre elas uma única boa ação.

O interessante em tudo isso é que a coisa era tão séria e grave que, supostamente, Noach, em seus atos, não suplicou pelas pessoas de sua geração e, portanto, na Haftará que leremos no Shabat, o profeta  Yeshayahu (Isaias), lembra as águas do dilúvio que chegou e as denomina “ Águas de Noach”, quer dizer, o dilúvio tem o nome de Noach, como foi dito “Agirá como fiz com as águas de Noé” – (Isaias, 54), isto é, por causa de Noach ocorreu o dilúvio e tudo isso porque não rezou nem pediu pela pessoas de sua geração.

No Midrash Rabá há uma outra comparação entre Noach e Moshe Rabeinu. Assim relata o Midrash:

            Moshe Rabeinu é mais estimado do que Noach, porque no início da parashá, Noé é chamado de “homem justo” e, ao fim da parashá, a Torah o denomina “homem da terra”. Mas, com relação a Moshe Rabeinu, no início a Torah se refere a ele como “homem egípcio” e, no final, a Torah o chama de “Ish Há´Elokim, o Homem de D´us”.

Essa diferença também surge da vontade e do esforço de ambos de se unir e ajudar os outros. Noach optou por se isolar e não orar pelas pessoas de sua geração – desceu do nível de um homem justo e atingiu o nível do homem da terra. Enquanto isso, Moshe Rabeinu, que escolheu dedicar-se totalmente em prol do povo de Israel, envidar todos os esforços e doar seu coração, elevou-se cada vez mais, atingindo o nível especial de “Homem de D´us”.

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