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Matot – por Rav Netanel Tzippel

11.03.11  |   Parasha  |  Marcella Becker

BS”D

A Torá, na parashá desta semana, trata das leis relacionadas às promessas, advertindo o cuidado com o qual devem ser conduzidas, como está escrito: “… como foi dito, deve ser feito…”. A guemará, no tratado de Taanit, indica que “uma pessoa sempre deve se ver como se a santidade estivesse em suas entranhas”, ou seja , deve levar em conta que todo seu corpo detém grande força espiritual, e sua função é transformar este potencial em ação. Se  soubéssemos até onde chegam as forças de santidade imbuídas em cada um de nós, com certeza preencheríamos todos os nossos atos com santidade e espiritualidade.

Torna-se problemático, porém, o fato de não termos total noção de nosso potencial espiritual, e, por isso, agirmos diversas vezes de modo a nos distanciarmos muito de nosso lado espiritual e da santidade existente nesse mundo. A Torá legisla, em nossa parashá, que “… quando alguém faz uma promessa… não deve atrasar em cumprir sua palavra…”. A palavra Yachel, em hebraico, usada neste passuk com o significado de atraso, tem sua raiz na palavra Chol – profano. Rash’i explica que a Torá, com isso, proíbe que uma pessoa inverta aquilo que falou para assuntos profano; podemos entender, assim, que a princípio, as palavras de cada Yehudi são sagradas e, por isso, somos ordenados a cuidar para que essas não se tornem profanas.

É interessante que mesmo um dos grandes rabinos da época da Mishná, Rabi Shimon bar Yochai disse, segundo o Talmud Yerushalmi, que se vivesse na geração que recebeu a Torá, e pudesse fazer um pedido a HASHEM, ele pediria que lhe fossem concedidas duas bocas: uma a ser utilizada com palavras de tora – santificada a essa finalidade – e outra para se alimentar e cuidar dos assuntos cotidianos.

Na realidade, a idéia exposta acima é de simples compreensão a todos! Como podemos falar maledicências com a boca, e, instantes após, pedir a HASHEM – com a mesma boca – saúde, sustento, etc.? E ainda assim, muitos não entendem como pedem e rezam e não são atendidos! Alguns dos grandes rabinos que se ocupavam em ensinar ética judaica escrevem que devemos sempre analisar se com o mesmo utensílio puro e especial, dado ao ser humano para que fosse utilizado com santidade, transgredimos a vontade de HASHEM; quando encontramos resposta positiva, compreendemos porque esse utensílio não consegue cumprir o objetivo para o qual foi criado…

Existe um provérbio judaico famoso que diz que “quando um Tsadik (justo) decreta, HASHEM cumpre”. O Tsadik tem força de “estabelecer” aquilo que HASHEM fará, e como ELE conduz este mundo. Muitos de nós utilizamos essa força especial, quando pedimos bênçãos a Tsadikim para que HASHEM nos dê brachot. O Tsadik é uma pessoa que cuida para que toda palavra que saia de sua boca seja limpa de qualquer suspeita de problemas, cuida para que sempre fale a verdade, e, por isso, quando pede ou mesmo demanda algo de HASHEM é respondido sem delongas! Uma vez que cumpre sempre sua palavra, assim, quando solicita algo de HASHEM, ELE é “obrigado” a realizar.

Assim nossos sábios, de abençoada memória, explicaram o passuk que trouxemos na  introdução: “… não deve atrasar em cumprir sua palavra, mas, sim, como foi dito, deve ser feito…” – Aquele que não se atrasa em cumprir suas palavras, guardando a santidade daquilo que diz, tomando sempre o devido cuidado nesses temas – sobre ele é dito que “tudo o que foi dito, será feito” – quando pede a HASHEM, é atendido.

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