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Ma´asê – por Izio Klein

11.03.11  |   Parasha  |  Marcella Becker

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Em diversas passagens na Torá é possível observar o valor dado por ela à vida humana. É famoso o fato da proibição de assassinato ser uma das três transgressões mais graves que constam na Torá. O motivo para tal importância reside no fato da vida humana ser considerada santa e elevada, como aprendemos no livro de Bereshit, onde a Torá enfatiza que, quando HASHEM criou o ser humano, ELE o imbuiu de algo especial, ELE “soprou em suas ventas uma alma viva”. Quando sopramos um balão, colocamos em seu interior o ar que antes residia em nosso corpo; da mesma forma, quando HASHEM “soprou” a alma DELE ao ser humano, para que este se enchesse de vida, o preencheu com santidade elevada e especial. Este também é motivo de se anular, pela halachá, quase todas as mitsvot da Torá em situação de perigo de vida iminente. A Torá considera a vida humana como de mais alto valor espiritual, e suas mitsvot servem, então, para elevar a vida humana a seu nível máximo, e, em caso de impossibilidade do cumprimento delas em face de algo que atente contra essa vida, damos a preferência, na maior parte das vezes, à vida.

Aprendemos pela primeira vez em nossa parashá as leis relacionadas àquele que mata alguém sem intenção. Trata-se de uma pessoa que, por exemplo, não tomou os devidos cuidados na direção e acabou matando outro indivíduo, sem intenção. A Torá legisla que esta pessoa deve fugir para uma das “cidades-refúgio” que eram previamente preparadas para receber casos como esse e lá deveria permanecer até o falecimento do Cohen ha’Gadol (sumo-sacerdote). O motivo desta mitsvá é, novamente, para mostrar a importância que ela dá à vida humana; por isso, não há como não punir uma pessoa quando esta causa a morte de outro, mesmo que seja “sem querer”!

Após compreendermos até onde vai a importância da vida humana, se torna de simples compreensão o porquê não podemos desperdiçar algo tão santo e único “em vão”… A Torá também pesou isso, quando legisla que àquele que matou sem intenção deve se “… refugiar em uma dessas cidades e viverá…” – a mishná explica que a vida deste deve continuar não só fisicamente, mas também espiritualmente, como é legislado que um aluno que se refugia em uma dessas cidades deve ser acompanhado de seu rabino, para que possa continuar estudando Torá da forma que fazia antes, uma vez que se esse aluno parar de estudar, ele terá “morrido” espiritualmente.

A guemará nos conta que Rabi Yehoshua falou a Rabi Eliezer, seu professor, que este seria melhor para o povo de Israel do que os raios solares. A intenção de Rabi Yehoshua era expor que o sol provê luz que proporciona a visão física, mas àquele que ensina a Torá dá a seu aluno luz para que este compreenda a Torá, que lhe fornece vida espiritual, repleta de santidade. A luz da Torá ilumina todas as facetas da vida, dando compreensão àquele que a alcança de qual seu papel neste mundo, em nome de que veio à vida; valores ainda mais elevados que a vida física! Não podemos, hipótese alguma, impedir que aquele que mata sem intenção tenha acesso a isso, e, por isso, levamos seu rabino a seu refúgio.

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