• Twitter
  • Facebook
Home \ TORÁzinha \ Lulava

Lulava

30.01.11  |   TORÁzinha  |  Marcella Becker

por Rabino Paysach Krohn

O Rabino Shammai Parnes é um dos principais rabinos do exército de Israel. Ele é um homem profundamente religioso que descende de uma longa linha de famílias de Jerusalém.

Esta história ocorreu na Guerra de Iom Kipur, em 1973, quando os israelenses foram apanhados de surpresa e atacados pelos árabes em diversas frentes. Um dos pontos críticos da batalha ocorreu perto do Canal de Suez. Nos dias que se seguiram a Iom Kipur e durante Sucot o Rabino Shammai e seus assistentes se deslocaram através do deserto de Sinai e para o sul, na direção do canal de Suez, onde cautelosamente e com muito cuidado reuniram os corpos daqueles que tinham caído na batalha.

Nestes dias de Sucot o Rabino Shammai viajava no seu jipe, levando um livro de orações, um Tehilim (livro de Salvos), um talit (o manto de oração) e o lulav e etrog (espécies usadas para celebrar a festa de Sucot). Em cada campo do exército em que se detinha, os soldados se aproximavam e pediam licença para usar seu lulav e seu etrog.

Os soldados da infantaria, que por outro lado, não eram religiosos, pegavam seu sidur e diziam “Rabino Shammai, deixe-nos rezar do seu sidur … Rabino Shammai, deixe-nos recitar o Shemá … Rabino Shammai, será que podemos ler alguns salmos”. E ele ajudava tanto quanto podia; por momentos era detido no seu trabalho por mais de uma hora. Porém, muito a seu pesar, às vezes precisava dizer aos jovens “não posso ficar mais. Estou sendo convocado num outro lugar”.

Em Hoshaná Rabá (último dia de Sucot), o Rabino Shammai e seus assistentes estavam perto de Suez. A manhã estava bem avançada. Enquanto conduzia em direção a uma base militar recentemente construída no deserto ocorreu-lhe o pensamento de que por ter já usado seu lulav e seu etrog pela última vez neste Iom Tov, poderia deixá-los na base do exército.

Pouco depois da chegada do Rabino Shammai à base formou-se uma longa fila de soldados, à espera de usar o lulav e o etrog. Enquanto a multidão começava a se reunir um jovem soldado não-religioso, Arik Shuali, conduzindo um caminhão de munições, estava se dirigindo para o sul. Olhando através do seu poderoso binóculo percebeu uma multidão de colegas de serviço reunida na área. Curiosamente, decidiu sair do caminhão e ir andando até o lugar onde os soldados estavam reunidos.

Enquanto se aproximava perguntou a alguém “o que significa esta comoção?” Explicaram-lhe que o Rabino Shammai tinha chegado e que as pessoas estavam esperando pela oportunidade de usar seu lulav e seu etrog. Arik não estava interessado em esperar. Entretanto, quando um dos amigos mencionou ser este o último dia para cumprir a mitsvá, ele concordou em esperar a sua vez.

Finalmente chegou a vez de Arik. Exatamente na hora que pegou no lulav e no etrog uma bomba atingiu seu caminhão. O veículo foi pelos ares, dando lugar a múltiplas explosões da munição que levava. As explosões eram tão intensas que se formou uma enorme cratera no lugar onde o caminhão estava estacionado. Quando mais tarde examinaram o lugar onde o caminhão tinha estacionado os soldados não puderam encontrar um só fragmento de metal inteiro do veículo despedaçado.

Três meses depois o rabino Shammai leu uma breve notícia no jornal do exército Israelense. Era o anúncio do nascimento da filha do membro das forças armadas Arik Shuali. O anúncio incluía uma declaração dada pelo novíssimo pai. “Acredito, com cada fibra do meu ser, que estou vivo hoje e que tive o merecimento de ver minha nova filha somente por causa da mitsvá que estava fazendo quando meu caminhão foi bombardeado”.

Para lembrar da bondade de D´us chamou a filha Lulava.

(Os nomes foram trocados a pedido pessoal.)

Impresso com licença de InnerNet Magazine.

Comentários fechados.