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Lech Lechá – por David Bermerguy

11.03.11  |   Parasha  |  Marcella Becker

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A tradição judaica acredita que nosso mundo foi criado para existir no estado que está por um período de 6000 anos. Após isso ele mudará de figura. Os dois mil primeiros anos seriam a era do caos, os segundos dois mil anos seriam a era da Tora e os últimos a preparação para a era messiânica. Nossos sábios identificam o início da era da Tora com a conversão de Avraham ao monoteísmo, indo contra os princípios de SUS conterrâneos.

Uma grande pergunta então surge. Por que nossos sábios dizem que o início da era da Tora começa com Avraham? Sabemos que a Tora já havia sido criada antes da criação do mundo, que o próprio Adam e até mesmo Noach, estudaram Tora. Um dos filhos de Noach, Shem, fez até uma yeshivá para que as pessoas daquela época pudessem aprender os conceitos da Tora que ainda seria entregue no Monte Sinai!

Para podermos entender essa questão, devemos primeiro perceber a forma única que Avraham ensinava Tora a seus adeptos. O Raavad, um grande sábio que viveu no séc XIII pergunta por que Avraham é o único que, em várias gerações, conseguiu influenciar as massas para reconhecerem a existência de D-us? Certamente, muitos dos tzadikim que viveram nas gerações anteriores também devem ter feito algum tipo de protesto contra idolatria e tentaram acabar com esse mau costume. Ele responde que Avraham foi o único que conseguiu destruir os ídolos, pois os idólatras escondiam-nos muito bem.

Minha pergunta para essa resposta é: Avraham ganhou toda essa fama por ser o melhor detetive de todos os tempos?! Capaz de encontrar ídolos escondidos? E mais, sabemos que as pessoas dessa época faziam idolatria em público, até mesmo seu pai tinha uma loja de ídolos, e não foi tão difícil para Avraham seus ídolos.

Para entendermos o que o Raavad quer dizer devemos primeiro entender o que como era a idolatria dessas pessoas. A verdade é que eles acreditavam em D-us como criador do mundo, ser supremo e único em poder. Porém, assim como um rei tem seus ministros, Ele havia criado os astros como seus “ajudantes”. Aos poucos as pessoas começaram a pensar que, louvando esses astros, D-us ficaria feliz pois estavam honrando seus ministros! Aos poucos, a idéia de que D-us é o que governa sobre eles foi se perdendo e sobrou somente o costume de louvá-los e associar todas as forças que regem o mundo a eles.

Por isso, esses primeiros dois mil anos da criação são chamado de era do caos. Uma era confusa, onde a verdade estava oculta, porém existente. Não se sabia quem era o regente de todas as forças que governam a natureza, somente se sabia que ela existe. Uns diziam que o regente era os ministros. Outros, os tzadikim das gerações, diziam que elas haviam ganhado sua força de outro ser supremo, D-us. Porém essa idéia não estava tão clara e bem embasada.

O que o Raavad quis nos explicar foi que Avraham foi o único que conseguiu “quebrar” as idolatrias, definir exatamente a diferença entre um poder proveniente de alguma força da natureza, um astro ou algo do gênero e D-us. As pessoas daquela época “escondiam-nas” e Avraham conseguiu encontrar o furo naquela ideologia, que acreditava que a força de D-us ficava oculta em sua própria criação. Por isso Avraham conseguiu influenciar as pessoas de sua geração voltar suas preces a D-us. Ele conseguiu explicar para elas exatamente o que elas estavam fazendo, e a origem de seus atos. Conseguiu separar a adoração pura da impura e definiu com precisão a linha tênue que existia entre acreditar em D-us e em idolatrias.

Esse também é o motivo que esse período é chamado de era da Tora. A Tora é a única coisa que nos define com precisão o que é puro e impuro. Através dela conseguimos saber o certo e errado de forma a não nos enganar e ocultar o errado dentro de uma coisa aparentemente certa.

Em nossa geração podemos ver isso claramente. Muitas coisas que sabemos que são erradas estão sendo ocultadas pelo aparentemente certo. O mau instinto do ser humano faz com que seu senso comum justifique seus atos. Por causa dessa ocultação da verdade passamos por grandes sofrimentos como guerras e perseguições. Avraham deixou para nós um legado, que podemos chegar ao certo e errado sem nos enganar e, somente com a Tora é que poderemos realmente “quebrar” as idolatrias.

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