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Haazinu/Chag Sucot – por Rav Netanel Tzippel

29.12.10  |   Parasha  |  Marcella Becker

A festa de Sucot, que completa as festas do mês de Tishrei, é única em vários sentidos. Ao contrário de Rosh ha’Shaná e Yom Kipur, quando sentimos o temor do julgamento e fazemos um balanço geral de nossos atos, na festa de Sucot temos como idéia principal a alegria. A ordem de se alegrar nesta festa é lembrada três vezes na Torá. Será que existe um elo entre o significado de alegria e a obrigação de estarmos alegres em Sucot?
Existem duas Mitsvot principais na festa de Sucot, e somos levados pelas duas a sair de nossa rotina, de nossos afazeres cotidianos, para fortificar nossos laços com a natureza e com toda a criação, e, por conseguinte, chegar à verdadeira alegria. São elas:
Mitsvat ha’Sucá: Esta nos obriga a sair de nossas casas confortáveis e quentes, e passar, por sete dias completos, a morar fora de casa, dormindo à “céu aberto”, sendo protegidos somente por vigas de madeira e pano, e cobertos por uma fina camada de folhas. Claro que observamos nesta mitsvá um conceito de fé em HASHEM, Aquele que protege, na realidade, Seu povo; mas também aprendemos uma lição moral. Cada um de nós consegue juntar, durante nossas vidas e com esforço, pertences e posses, e fatores nos dão uma imagem de estabilidade e segurança neste mundo; muitas vezes, esta sensação nos faz construir muros que nos separam dos outros, da natureza a qual deveríamos estar conectados, nos impedindo de desempenhar a influência e o papel social que nos é devido. A autoconfiança em demasia nos leva a prejulgar indevidamente nossos semelhantes segundo aquilo que conseguiu acumular durante sua vida. Por isso, a Torá nos ordena a passar uma semana de “igualdade social”, sete dias em que todos têm moradias semelhantes, enfrentando os mesmos problemas, sejam a chuva, o calor ou o frio. Estes dias acontecem justamente após os Rosh ha’Shaná e Yom Kipur, que nos purificam espiritualmente, e nos preparam para receber a todos sem prejulgamentos materiais ou espirituais. HASHEM tem o interesse que haja pelo menos uma semana de igualdade, para que compreendamos o quão somos todos ligados, e que nossos pertences e construções têm caráter temporário, neste mundo.
Arbaat ha’Minim (as quatro espécies): Esta mitsvá vem para completar a Sucá, que nos aprofunda na idéia anteriormente apresentada. Nossos sábios nos ensinam que as quatro espécies representam os quatro tipos existentes de pessoas: O etrog, que tem cheiro e gosto bem característicos, simboliza o Tzadik (justo), aquele que estuda Torá e se ocupa com boas ações; já o hadas, que tem cheiro característico, mas é deficiente de gosto, representa uma pessoa que estuda Torá, mas não se ocupa com boas ações; o lulav (folha de tamareira), carece de cheiro, mas têm gosto, significa uma pessoa ocupada em boas ações, mas carente de estudo; por último, a aravá caracteriza aquele que não se ocupa com estudo nem com boas ações, uma vez que não possui cheiro ou gosto. Em qualquer sociedade, estes três tipos de indivíduos se fazem presentes, desde aquele que doa à comunidade tempo esforços e dinheiro, sem se esquecer do estudo de nossa Torá, até aquele que não se envolve com nenhuma dessas atividades. O nosso instinto inicial, geralmente, nos leva a nos ligar mais fortemente com as pessoas mais fortes, e deixar de lado aqueles que consideramos mais fracos; por isso, HASHEM nos deu a mitsvá de arbaat ha’minim: nos mostra que só nos unindo a todos de nosso povo conseguimos cumprir esta mitsvá, sendo proibido faltar qualquer uma das quatro espécies, para que possamos, assim, transformar a Aravá de hoje no Etrog de amanhã, elevando toda a comunidade.
Estas duas mitsvot se unem com o intuito de nos fazer julgar a cada um segundo seu comportamento atual, nos levando a uma elevação de toda a sociedade.
Este é o caminho para se chegar à alegria verdadeira, quando pensamos também em nossos semelhantes, quando compreendemos a nós mesmos e nosso papel na sociedade de maneira mais plena; uma alegria em que a espiritualidade e o valor interior se tornam os fatores preponderantes.
A saída à natureza, a liberdade de nossas limitações materiais, que nos encarceram durante o resto do ano, nos levam a construção de uma sociedade melhor e mais saudável, e torna possível o alcance de uma alegria interior, real e completa.

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