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Guardando segredos

04.01.11  |   TORÁzinha  |  Marcella Becker

Dina tinha 12 anos quando essa história aconteceu. Ela estudava em uma turma de 7.° ano e tinha duas melhores amigas, as que mais gostava de brincar, de conversar e fazer seus  trabalhos de escola. Seus nomes eram Laila e Tamar.

Certo dia, Dina e Tamar tiveram uma pequena discussão sobre um trabalho que as três estavam fazendo. Dina queria usar cartolina rosa para a apresentação e Tamar, lilás. Cansadas do longo dia que tiveram na escola, depois de uma hora de reunião elas decidiram continuar depois.

No dia seguinte, Dina não pôde ir nem ao colégio, nem à reunião. Ela pegou um pequeno resfriado e teve que ficar em casa. Ela ligou para explicar para às suas amigas que não poderia comparecer e quem atendeu o telefone foi Tamar. Esta entendeu completamente e desejou melhoras à amiga, dizendo que ela e Laila avançariam só um pouquinho no trabalho.

Quando chegou a próxima reunião das meninas, Dina ficou surpresa: a apresentação estava pronta! E, o que ainda a deixou mais em choque, em uma cartolina lilás. Como elas poderiam ter feito aquilo? Ela não se importava em perder a discussão, só gostaria de ter estado presente para a votação da cor.

Mesmo chateada, tentou se controlar porque não queria brigar com suas queridas colegas. Mas, passados dois dias, ela não aguentou e teve que perguntar para Laila: “Laila, preciso falar com vocês. Não sei onde a Tamar está, mas queria saber por que vocês decidiram tudo sem mim?”. Laila prontamente respondeu: “Ué, você não sabia que tínhamos finalizado? Achei que a Tamar havia te explicado no telefone. Nós fomos até a papelaria para comprar as duas cores de cartolina, assim poderíamos ver em qual delas ficaria mais bonito. No dia seguinte, quando você estivesse presente, poderíamos colar tudo. Só que fomos em três lojas diferentes e só  encontramos lilás… Perguntamos se ia chegar rosa, disseram que não, então acabamos comprando a lilás mesmo e, já que não tinha jeito, colamos e terminamos. Mas achei que tudo isso tinha sido com o seu consentimento, afinal a Tamar falou com você no telefone”.

Dina ficou aliviada com a explicação da amiga. Isso não parecia por completo uma traição, embora pudessem ter explicado naquele dia o que tinha acontecido: “Ah, foi isso? Bom… melhor, fico feliz em saber que vocês procuraram as duas cores. Mas a Tamar realmente podia ter me explicado ao telefone, fico um pouco chateada que não tenha. Mas tudo bem, essas coisas acontecem”.

Laila perguntou: “Você está chateada com a Tamar?” – ao que a amiga respondeu: “Olha… Pra falar a verdade, um pouco. Por ela não ter me contado, só isso. Mas fica entre nós duas, não precisamos criar confusão em cima disso. Só acho que ela poderia ter explicado, mas acontece, não deve ter sido de propósito. Não conta pra ela, ok?”. E Laila se prontificou a guardar o segredo daquela conversa.

Na hora do recreio, Dina foi copiar o caderno do dia da aula que faltou e Tamar foi jogar bola. Estranhando que as duas amigas estavam separadas, uma colega delas, Lili, perguntou à Laila se tinha acontecido alguma coisa, já que elas nunca se separavam. Laila pensou um pouco se teria problemas em relatar a história, mas pensou que só para Lili, que sempre soube guardar segredos e gostava de suas amigas, não teria problemas. Então contou, perdendo alguns detalhes do acontecido, sem querer: “Acho que elas brigaram por causa de um trabalho que estamos fazendo. Cada uma queria uma cor de cartolina, um dia a Dina faltou e acabamos usando a cor que a Tamar preferia. Quando a Dina viu o trabalho pronto, ficou surpresa. Deve ser por isso que não estão se falando hoje, mas daqui a pouco isso passa. É melhor não contar pra ninguém, você promete guardar segredo, né?”.

Lili logo concordou em não passar a história adiante. Na hora do almoço, porém, ela se deparou com Tamar na fila da comida e não conseguiu ficar sem falar nada: “Tamar, como você fez isso com a sua amiga? Terminou o trabalho sem ela e aproveitou que ela não estava para tomar as decisões? Ela está chateada!”. Tamar ficou surpresa. Não tinha sido assim.. Ela lembrou que não tinha contado a história toda para Dina, mas só porque não queria deixá-la chateada quando estava resfriada. Desta vez, quem se aborreceu foi Tamar, por Dina ficar brava sem nem sequer querer saber o que se passou. Nesta tarde, as meninas iam apresentar o trabalho.

Muito chateada, Tamar ficou de cara feia o tempo todo e não conseguiu falar direito sua parte. Dina, que viu os olhares amargos da amiga, se sentiu mal e também se atrapalhou. Quando Laila percebeu o que estava acontecendo, notou que podia ter culpa e acabou não falando direito também. Tiraram nota baixa, em um trabalho que estava excelente. E demorou mais de uma semana para as duas meninas – Dina e Tamar – resolverem conversar a respeito e voltarem a se falar.

Quando isso aconteceu, Dina foi imediatamente perguntar pra Laila por que ela tinha contado aquela conversa pra outra pessoa. Laila falou que não foi por mal – e realmente não tinha sido – e que Lili sempre foi de confiança. Pediu desculpas. Ao final da conversa, as três amigas ficaram bem. E Dina deu um conselho para Laila: “Querida amiga, eu sei que você não fez por mal. Mas quando pedimos para não contar algo pra ninguém, não se deve contar pra ninguém mesmo. Primeiro porque nos enrolamos em contar a história e ela acaba saindo distorcida. Segundo porque essa outra pessoa também pode contar para ‘só mais uma pessoa de confiança’ e, recebendo a informação em segunda mão, relata o que aconteceu de forma ainda mais enganada. Esse tipo de coisa pode atrapalhar muito a vida de alguém, como quase fez com as nossas, eu e Tamar poderíamos ter deixado de ser amigas por causa disso. Sempre guarde os segredos que te pedirem, sempre. Contar para uma única pessoa que seja pode causar uma enorme confusão”!

Desta forma, três amigas nos ensinaram uma importante lição, além de perdoar e esclarecer em paz os assuntos com o próximo: nunca fazer fofoca daquilo que sabemos e que nos foi confiado, mesmo achando que estamos realizando isso para um bem.

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