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Grandeza na Humanidade

04.01.11  |   TORÁzinha  |  Marcella Becker

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Rav Saadia Gaon era um grande sábio, na verdade, um gênio. Mas com tudo isso, era muito modesto, tanto em sua opinião sobre si mesmo quanto em suas relações com seus colegas. Sempre tinha um sorriso e uma palavra agradável para todos, fossem grandes ou pequenos, jovens ou idosos.

 

Embora passasse bastante tempo estudando Torá, sempre conseguia tempo para parar e conversar com as pessoas. Costumava dizer que até a Tora é comparada a fala ou à conversa. Está escrito: “Pois teus testemunhos são como falas para mim”.

 

Um dia, seu alfaiate lhe trouxe uma roupa nova. Como de hábito, o Gaon tinha uma palavra agradável para ele. Como estava de bom humor disse para o alfaiate: “Diga-me, meu amigo, quantos pontos deu para costurar esta roupa?”

 

O alfaiate ficou um tanto espantado. “Ora, Rav, eu nunca tinha pensado em contar os pontos. Sempre penso que costurar é como estudar Torá: parece que não tem limite. A pessoa simplesmente vai continuando. Estou certo de que o senhor deve saber quantas letras há nas Escrituras Sagradas, mas eu não passo de um pobre ignorante e não sei de nada. Prometo que quando costurar a próxima roupa para o senhor, contarei os pontos”.

 

Quando o alfaiate tinha ido embora, Rav Saadia Gaon achou que realmente deveria saber o número das letras das Escrituras, já o Alfaiate estava certo de que ele sabia. Decidiu que se dedicaria ao assunto na primeira oportunidade.

 

O tempo passou e o Gaon estava tão ocupado que não conseguiu cumprir com a tarefa prometida a si mesmo. Enquanto isso, o alfaiate havia levado outra roupa para o Rav, já que a estação havia mudado, e desta vez, anunciou orgulhosamente ao Gaon: “Rav Gaon, agora tive o maior cuidado em contar os pontos para o senhor, como havia prometido”.

 

O Gaon lembrou-se então de que não havia cumprido sua própria missão e resolveu que não vestiria a roupa nova enquanto não acabasse de contar as letras das Escrituras Sagradas. E realmente não descansou até contar e conferir o número de letras, depois do que compôs suas rimas sobre elas que se tornaram conhecidas como “As letras de Saadia Gaon”.

 

O Gaon ofereceu um banquete a todos os seus amigos e sábios para comemorar a conclusão do seu trabalho. E entre os convidados, incluiu o simples alfaiate.

 

Muitos foram os discursos elogiosos ao Gaon pelas pessoas presentes, mas pondo-os de lado, disse aos convidados: “Não é a mim que devem elogiar por este trabalho, mas ao nosso bom amigo aqui, o alfaiate. Foi ele quem me deu a idéia, e se não fosse por ele, estes versos nunca teriam sido escritos”.  Os convidados olharam surpresos para o alfaiate.  Mal podiam acreditar que ele pudesse ter sido a fonte de inspiração para o grande gênio, Rav Saadia Gaon.

Mas como poderiam saber que ele, na verdade, não era o simples alfaiate, mas ninguém mais ninguém menos que o grande profeta Eliahu, de abençoada memória?

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