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Epilepsia detectada antes de acontecer

20.02.11  |   Ciência e Tecnologia  |  Marcella Becker

A nova pulseira electrónica EpiLert, em desenvolvimento em Israel, emite sinais à seus familiares quando o usuário começa a sofrer um ataque perigoso

A epilepsia é uma condição incurável que afeta principalmente dois grupos de população mais vulneráveis – crianças e jovens maiores de 65 anos de idade – e embora possa ser controlada por medicação, as crises são muitas vezes imprevisíveis e sempre assustadoras.

Há uma necessidade urgente para que os pacientes sejam capazes de notificar os familiares e os profissionais de saúde sobre o início de uma convulsão. Estudos têm demonstrado que a obtenção de cuidados durante uma crise epiléptica pode evitar que muitos problemas mais graves ocorram. No entanto, alguém na iminência de um ataque, principalmente uma criança, não pode pedir ajuda.

Isto tudo pode estar prestes a mudar com o desenvolvimento de um novo dispositivo médico por uma empresa israelense. Conhecido como EpiLert, o dispositivo é composto por uma pulseira que envia automaticamente um sinal de alerta aos familiares, quando uma pessoa entra em um ataque epiléptico.

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EpiLert é baseada em um sensor que detecta os movimentos do membro associado com uma convulsão epiléptica. O sensor utiliza um algoritmo proprietário desenvolvido por uma equipe liderada pelo engenheiro de eletrônica Amos Shaham, co-fundador da BioLert, a empresa que desenvolve a EpiLert.

Sem alarmes falsos

“Embora tenha havido muitas tentativas no passado a desenvolver um alerta deste tipo, o maior desafio sempre foi encontrar um sistema que pudesse distinguir entre os movimentos cotidianos ordinários e os movimentos únicos para um ataque epiléptico”, explica Shaham. “Nossa inovação foi na concepção de uma tecnologia sem alarmes falsos”.

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Shaham está trabalhando em parceria com o professor Uri Kramer, diretor do Serviço de Epilepsia Pediátrica na Sourasky Medical Center, em Tel Aviv. “O professor Kramer é consciente da necessidade de um dispositivo deste tipo, tendo tratado muitos pacientes em sua unidade hospitalar e sua clínica”, diz Shaham a ISRAEL21c.

EpiLert consiste em um sensor pequeno (usado no pulso ou no tornozelo) e uma unidade remota de alerta. O sensor detecta e processa os movimentos e vibrações específicas para convulsões epilépticas, e transmite sinais para a unidade remota de alerta. Esta unidade alerta o pai, a mãe ou o serviço de assistência médica no prazo de 20 a 30 segundos do início de uma convulsão. O EpiLert também mantêm registros de dados essenciais de eventos epilépticos para análise médica mais detalhada.

BioLert recentemente completou a validação da tecnologia em um estudo clínico realizado na Universidade de Nova York. Os resultados positivos do estudo confirmam que EpiLert é capaz de transmitir sinais de alerta de crises epilépticas sem o envio de alarmes falsos. Os detalhes serão publicados na edição de Fevereiro de 2011 do Journal of Clinical Neurophysiology .

Um subsídio americano

BioLert recebeu recentemente um importante voto de confiança para a sua tecnologia, ao receber uma doação de US $ 100 mil da Epilepsy Therapy Project, organização de epilepsia, com sede em Washington . Este financiamento permitirá a BioLert desenvolver um protótipo avançado de EpiLert.

A empresa está à procura de fontes adicionais de financiamento que lhe permitirá levar o produto para a fase de comercialização em um ano.

“Quando recebemos um pouco de publicidade no Reino Unido há vários anos, após EpiLert ganhar um prêmio em um concurso de tecnologia de lá, fomos inundados com pedidos de pacientes com epilepsia e suas famílias. Os pais das crianças estavam especialmente ansiosos para começar a usar tal dispositivo”, observa Shaham.

Além de salvar vidas e trazer a paz de espírito para as famílias, Shaham espera que o dispositivo traga um retorno promissor para os investidores. Há cerca de 50 milhões de pacientes com epilepsia em todo o mundo, incluindo cerca de três milhões nos Estados Unidos e cerca de seis milhões na Europa.

 

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