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Devarim – por Natan Regev

27.02.11  |   Parasha  |  Marcella Becker

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Na nossa parashá, Moshê começa seu longo discurso de despedida. E neste discurso ele resume a Torá segundo seu ponto de vista. Moshê conta ao povo porque decidiu nomear mais juízes, que julguem o povo junto com ele. Ele descreve Bnei Israel como que escolheu os juízes e o que disse a eles antes que começassem a trabalhar.

Moshê guiou os juízes e os aconselhou a maneira de se julgar o povo, segundo as leis da Torá. Uma das coisas que disse a eles foi que em primeiro lugar deve-se escutar com atenção aqueles que vem dar seu argumentos, em frente ao tribunal, antes de se decidir qual será o veredito. E assim somente com a atenção devida que se pode fazer uma decisao justa. Moshê diz aos juízes que mesmo eles tendo força e autoridade, mesmo assim eles fazem parte de Bnei Israel e eles estão proibidos de sentirem orgulho sendo mais importante que Bnei Israel. E por isso cada um dos juízes deve sentir que cada pessoa que vem até o tribunal é como um irmão e somente se sentirem esta fraternidade de verdade poderão julgar o povo sem ter interesses e sentimento de orgulho.

A Guemará aprendeu através das palavras de Moshê uma lei muito importante na justiça judaica, a proibição de escutar o argumento de um dos lados sem o outro estar presente. Os dois lados tem que estar presentes no local do julgamento para que este possa ser feito.

Sobre este assunto existe um conto sobre Rabi Ionatan Aivechitz que quando ele era criança, ele era muito sério nos estudos, e não brincava e se divertia com as outras crianças. Quando chegou o dia de seu bar-mitzva, um parente lhe perguntou: “Segundo nosso sábios, até a idade de 13 anos, o homem tem somente o mau instinto, e somente depois desta idade que o bom instinto é aderido ao homem. Então como que até hoje você conseguiu negar o que o mau instinto tentava te induzir sem você ter o bom instinto?”

O jovem sorriu e respondeu imediatamente: “Estudamos na escola a Guemará que diz que é proibido ao juiz escutar um lado sem o outro estar presente, então toda vez que o mau instinto vinha até mim e tentava me convencer a fazer pecados, lembrava a ele desta lei e não escutava ao que ele me dizia. E agora que cheguei na idade de 13 anos e se juntou ao mau instinto o bom instinto, agora vou escutar aos dois e então decidir o que farei em cada passo na minha vida.”

O parente se impressionou muito com a resposta do jovem e o abençoou que ele se torne um grande sábio de Bnei Israel. E realmente isso aconteceu, este jovem se tornou o rabino da cidade de Praga, Rabi Ionatan Aivechitz.

Esta lei nos ajuda a entender também o que os sábios dizem no Pirkei Avot, que sempre deve-se julgar a pessoa para o bem. Quando vemos a maneira que um amigo se comporta e logo começamos a interpretar seu comportamento como algo ruim, é sinal que o mau instinto já está nos convencendo para o seu lado. Dizem os nossos sábios pare e espere que o bom instinto chegue e ele explicara a você o comportamento deste amigo de uma outra maneira. Somente depois de escutar os dois lados decida qual está certo. Porém lembre-se que esta pessoa é seu irmão, então julgue-o com justiça, assim como disse Moshê na parashá: “Ouçam (a toda disputa) entre seus irmãos, e julguem honestamente entre cada homem e seu irmão.”

 

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