• Twitter
  • Facebook
Home \ Parasha \ Devarim – por Rav Netanel Tzippel

Devarim – por Rav Netanel Tzippel

27.02.11  |   Parasha  |  Marcella Becker

BS”D

Tishá be’Av. Duas palavras que significam muito a todo judeu. Duas palavras que resumem a situação do povo de Israel nos dias de hoje. Por causa de nossos pecados, a “casa de D’us” foi destruída, e, desde então, nosso povo reza e pede, todo dia, para que “seja (re)construída Jerusalém, a cidade sagrada, em breve, em nossos dias”.
Amanhã ao anoitecer, nos reuniremos em sinagogas e leremos a meguilá de Eichá, que foi escrita mais de 2500 anos atrás pelo profeta Yirmiahú – antes mesmo da destruição do primeiro Beit ha’Mikdash – e nela o profeta indica como seria a situação do povo na época da destruição do templo. O nome da meguilá advém de sua primeira palavra, Eichá – palavra que pode ser traduzida de duas formas. A primeira forma seria entendê-la como “como isso foi possível?” – O profeta “questiona” como é possível que a cidade real e tão importante, Yerushalaim, tenha sofrido tal destruição? Aqueles que a destruíram permanecem felizes e impunes, enquanto seus filhos e filhas se enlutam, em prantos! Nossos sábios assinalam que essa palavra também pode ser lida, em hebraico, como “Aiêka?” – “Aonde você está?”. Esta pergunta foi feita por HASHEM ao primeiro ser humano que, por grande vergonha após ter provado do fruto da árvore da sabedoria do bem e do mal, tentou “se esconder” DAQUELE que, com SUAS palavras, criou o mundo… Aiêka? Como pensa que pode fugir e se ocultar do CRIADOR? Aqui há julgamento e um juiz! Tudo o que fizer terá conseqüências e será levado em conta, detalhadamente, em sua avaliação! Isso foi o que HASHEM disse quando se dirigiu, com a palavra acima explicitada, ao primeiro ser humano.
Nossos sábios explicam, então, que a pergunta que HASHEM fez ao primeiro ser humano é a resposta para o questionamento de Yirmiahú. O profeta indaga em voz alta “Como isso pôde acontecer? Por que recebemos um castigo tão forte? E a resposta é simples: por causa da omissão. Por um longo período o povo se omitiu perante HASHEM, vivendo da maneira que desejavam, fazendo tudo o que queriam, sem tomar cuidado de não transgredir a vontade de HASHEM, como se não houvesse um condutor que trouxesse ordem a este mundo, como se o mundo tivesse vindo do nada, como se não houvesse um “dono da casa”. Isso foi o que ocorreu com o primeiro ser humano, este foi seu pecado; e neste mesmo ponto falhamos após 2000 anos.
Em palavras que cortam o coração, Yirmiahú concebe como seria a situação de Jerusalém no tempo de sua destruição. A cidade em chamas, crianças jogadas às ruas, mortos pela fome, mães se alimentado dos restos mortais de seus filhos amados, entre outros fatos que fazem descer lágrimas de qualquer um de nosso povo.
O profeta diz, ainda, que os povos residentes nos limites da cidade destruída questionam se essa seria a cidade foi chamada de “detentora da beleza”, “alegria deste mundo”?!
A tristeza oriunda da simples leitura de suas palavras nos levam a chorar, mas, nisso, devemos lembrar a guemará, no fim do tratado de Makot, que conta que Rabi Akiva e outros sábios passaram, certa vez, perto das ruínas do Beit ha’Mikdash. Enquanto seus colegas choravam por sua destruição, Rabi Akiva pôs-se a rir. Após ser questionado o motivo de sua reação, ele explicou que uma vez que a profecia da destruição do templo se concretizou, ele tinha certeza que seria realizada, também, aquela que contava sobre a construção de nosso terceiro e definitivo Beit ha’Mikdash.
Tudo isso só depende de nós. Que tenhamos o mérito de ver, em breve, sua reconstrução

Comentários fechados.