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Chaiê Sara

11.03.11  |   Parasha  |  Marcella Becker

BS”D

Na época de arrumar uma esposa, Isaac não podia sair da Terra Santa, pois foi consagrado a D’us quando seu pai, Avraham, o ofereceu como sacrifício em Har Ha Moriah. No entanto, Avraham não aceitaria que seu filho se casasse com uma canaanita e, portanto, enviou seu fiel servo, Eliezer, para sua cidade natal – Aram.

O objetivo desta empreitada era encontrar uma mulher digna de ser esposa de Isaac e Eliezer obteve sucesso em sua missão, trazendo para Canaan, Rebeca. A Torá relata a empreitada de Eliezer em minuciosos detalhes, inclusive repetindo partes da história em alguns momentos. Falando de uma forma mais geral, a Torá costuma “economizar” em palavras. Muitas das leis que cumprimos são baseadas em palavras aparentemente supérfluas, ou até mesmo em uma letra que consta a mais. Neste caso da história de Eliezer, ocorre diferentemente. Ela é contada detalhadamente.

O Talmude conclui, portanto, que “lindas são as palavras dos servos dos Patriarcas, mais do que a Torá de seus filhos”. Neste ponto nos perguntamos: o que é tão especial sobre “as palavras dos servos dos Patriarcas”? Qual é a lição que a Torá está querendo nos passar através da empreitada de Eliezer?

Uma das características que devemos enfatizar a respeito da missão designada para Eliezer é o imenso foco que este servo de Avraham dedicou a sua tarefa. Chegando a seu destino, Aram, ele não deu uma volta para conhecer as atrações locais, por exemplo. Ele nem sequer procurou onde descansar de sua viagem, primeiramente. Do contrário, assim que chegou, ele foi direto ao trabalho, começando a procurar imediatamente pela futura esposa de Isaac. Mesmo após encontrar Rebeca e averiguar seu valor pessoal, ele ainda não se permitiu descansar. Quando Rebeca o convidou para sua casa e sua família inteira sentou-se à mesa para a refeição, Eliezer imediatamente começou a dizer: “Não comerei até que tenha dito minhas palavras… Sou o servo de Avraham…”. Eliezer não se sentiu compelido a cumprir com as normas sociais ou comportamentos do tipo. Ele sabia bem que sua missão seria bem sucedida e esteve altamente focado nela, constantemente a par de que era um enviado de Avraham.

Desta forma ele tinha plena noção de que possuía os miraculosos acontecimentos que envolviam seu patrão a seu dispor. Assim, ao invés de contratar o melhor detetive da cidade para achar a mais virtuosa das mulheres locais, ele se encaminhou direto para D’us, para receber um sinal divino que identificasse a noiva apropriada. E ele foi bem sucedido. Quando a família de Rebeca pediu para que ela tivesse alguns meses de preparação para seu casamento, um pedido razoável, Eliezer respondeu: “Não me atrase… Envie-me embora e eu irei ao meu mestre”. E ele foi em seu caminho. Não se sentiu na obrigação de seguir padrões de comportamento social. Sabia que obteria sucesso, mesmo tendo que pedir pelo improvável.

Nós também somos emissários, como Eliezer.Fomos enviados a este mundo por Hashem para criar um casamento, unificar dois opostos: Criador e criatura. Nós podemos, e se D’us quiser, iremos cumprir com esta missão, porque não estamos nela com nossos poderes, mas com forças divinas. Forças que Ele investiu em nós para que possamos cumprir com este encargo. Nós podemos transformar a nós mesmos, nossas famílias e conhecidos e, na realidade, toda a criação, em entidades espirituais. Devemos sempre ter prioridades apropriadas, lembrando constantemente o que é realmente importante em nossas vidas. Esta é a lição que aprendemos com Eliezer. A lição que a Torá julga digna de repetir várias vezes. Que, com a vontade de D’us, possamos aprender com ela.

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