• Twitter
  • Facebook
Home \ Chaguim \ Chad Gadya – por Rav Max Godet

Chad Gadya – por Rav Max Godet

13.04.11  |   Chaguim  |  Marcella Becker

Um carneirinho que meu pai comprou

A primeira inclusão de Chad Gadya em um contexto relacionado a Pessach está no Sefer Rokeach (1160-1238). Embora não saibamos exatamente quem realmente o escreveu, a tradição ensina que esta é uma obra muito importante e de profundo significado em seu simbolismo. Acredita-se que foi escrito originalmente em Aramaico após a destruição do Segundo Templo, com o intuito de fortalecer nos Israelitas a fé em D-us numa época de amargura. Chad Gadiá, um carneirinho que meu pai comprou, tem sido entoado com alegria nas noites do seder em grande parte das casas judias durante muitos séculos, seja em Hebraico, Ladino ou Yidish.  Há algumas explicações quanto ao seu significado.

Em um dos comentários na hagadá do Malbin consta que o tal carneiro representa o povo judeu, que é comparado em outros lugares a uma ovelha frágil. O carneiro é adquirido pelo nosso Pai, o Santo Bendito seja Ele, como diz a Torá “Este povo compraste”, o seu valor, dois ‘zuzei’, as duas tábuas da lei. Tudo parece estar bem até que chega o gato malvado, os Egípcios, e aparentemente o devora. Em seguida, os Egipcíos são exterminados pelos Babilônicos que depois foram derrotados pelos Persas, que cairam nas mãos de Alexandre Magno, e os gregos deixaram o cenário livre para os Romanos. A história mostrou que todos os reinados que causaram mal ao nosso povo, cairam, como está escrito “Os que te amaldiçoarem serão amaldiçoados”. Até que venha o próprio D-us, e extermine o anjo da morte, e o povo de Israel viverá em paz eternamente.

O Gaon de Vilna traz uma outra explicação em sua hagadá. Yakov Avinu recebeu a benção especial de Yitzchak por ter trazido dois carneiros, esta mesma brachá foi passada à Yossef. Chad Gadiá, o tal carneiro, é o próprio Yossef. O gato feroz, são as outras tribos que tiveram inveja dele e o venderam. O cachorro é o Faraó que os subordinou quando chegaram os anos de fome. A vara que fere o cachorro é o cajado de Moshé, que abriu o mar onde os Egípcios foram afogados, após os judeus passarem em terra seca. O fogo, representa o Templo destruido, uma vez que o povo judeu chegou até mesmo a praticar idolatria, o fogo é também o próprio yetzer hará, a má inclinação. A água simboliza os sábios e justos líderes judeus, a Grande Assembléia, que apagaram o yetzer hará em seus dias, e reconstruíram o Segundo Templo. O touro representa Edom, os Romanos, que destruíram o Segundo Templo e a Grande Assembléia. O shochet é Mashiach ben Yossef, que antecede Mashiach ben David. Aparentemente pode não parecer tão sagrado, mas possui sua pureza interior. Este será exterminado pelo anjo da morte, o perverso Armilus, que o matará. Até que venha o próprio D-us, e junto a Mashiach ben David, aniquilará por completo o mau, e tudo que foi tirado de nosso povo voltará para nós.

Contam que em certa ocasião dois Rabinos discutiam qual dos personagens do ‘chad gadia’ tinha razão. Um deles dizia que o gato que matou o carneirinho era um rashá, um malvado, e o cachorro que o matou estava certo, era um tzadik, e assim consequentemente, a vara malvada, o fogo correto, a água injusta, o touro com a razão, o shochet cruel, o anjo da morte fez bem, e D-us? Por acaso o Santo bendito seja Ele, não teria agido de forma coerente? O Rabino não sabia o que dizer, então o segundo lhe interrompeu e seguiu com outra teoria. Como sabemos que o cachorro estava certo? Talvez o gato tivesse um bom motivo para matar o carneiro que talvez o tenha feito algo mal. Sendo assim, o cachorro é o perverso, a vara fez bem, o fogo agiu mal, a água tinha razão, o touro é um rashá, o shochet tzadik, o anjo da morte cruel, e o Criador, Bendito seja Ele, Justo dos Justos é o verdadeiro Tzadik, seus caminhos são de paz, e sua misericórdia dura para sempre.

Rabino Max Godet

Shaun o Carneiro 2 Chad Gadya   por Rav Max Godet

Comentários fechados.