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As Haftarót de Pessach – por Rav Avraham Rosenberg

13.04.11  |   Chaguim  |  Marcella Becker

As Haftarót de Pessach

Em Pessach, os trechos que lemos na Torá são especiais, extraídos de passagens dentre os cinco livros da Torá com assuntos pertinentes ao Chag HaPessach. Nos dois primeiros dias de chag, em shabat de chol hamoed e nos últimos dias do chag, as leituras tratam sobre Pessach. Assim sendo, não é difícil encontrarmos uma ligação direta entre o chag e a leitura da Torá nestes dias. E realmente, existem muitas passagens na Torá nas quais o assunto é chag HaPessach.

Eu gostaria de falar justamente sobre as Haftarót que são lidas no decorrer dos dias de Pessach, nas quais o enfoque é um pouco mais complexo, várias vezes nos livros dos profetas são mencionados assuntos relevantes ao korban Pessach e às mitsvót especiais do chag.

Sabemos que as haftarót foram instituídas a serem lidas para que associemos o trecho lido aos assuntos que são relatados na leitura da Torá na mesma ocasião.

Assim escreve o “Levush” no seu comentário sobre o Shulchan Aruch par. 284 (O “Levush” livro escrito pelo Rav Mordechai Yafe, nasc. 1530)

Paragrafo I

“A Haftará é lida de trechos que tratam de assunto semelhante à parashá [da Torá]. O inicio desta leitura se deu numa época que foi decretada uma lei proibindo a leitura da Torá. Por este motivo, as comunidades instituiram a leitura de trechos nos “neviim” (livros dos profetas), dos quais se liam sete trechos, assim como os sete trechos lidos na Torá, cada trecho com um mínimo de três psukim (versículos), somando um total de vinte e um psukim no mínimo. Mesmo que o decreto de proibição já não exista mais, o costume é mantido. Os Chachamim estabeleceram que toda semana seria lido um trecho dos livros dos profetas com um mínimo de vinte e um psukim.”

Voltemos ao assunto das haftarót de Pessach e sua conexão com a leitura sa Torá.

Primeiro dia – o primeiro Pessach da história

No primeiro dia de yom tov a haftará é do livro de Yehoshua, a ligação com a leitura da Torá é óbvia. É a primeira vez que o povo de Israel festeja o Pessach da mesma forma como nós festejamos hoje em dia. Isso ocorreu logo após que o “mán” cessou de aparecer. (“mán – a maná – o alimento divino com o qual o povo de Israel foi abençoado pelos quarenta anos que passaram no deserto), foi quando pela primeira vez o povo de Israel fez o Pessach.

Interessante citar, que nessa mesma ocasião, Hashem ordenou Yehosua, o líder, a circuncisar o povo  recém vindo do deserto, assunto que por si só merece aprofundamento e análise da ligação entre o brit milá e Pessach.

Segundo dia – comemorando Pessach com elevação espiritual

No segundo dia de Pessach lemos a haftará que trata sobre o rei Yoshiahu no livro de Melachim cap. 23. Essa haftará conta sobre o verdadeiro e sincero arrependimento deste rei na ocasião. Ele lê perante o povo as advertências escritas na Torá e faz um pacto com o povo a seguirem os caminhos de Hashem cumprindo a Torá. No final da cerimônia eles comemoram o chag de Pessach com elevaçao espiritual e com pureza. Esta é a segunda passagem referente a Pessach citada nos livros dos profetas.

Shabat chol hamoed – no mês de nissan serão redimidos

Em shabat de chol hamoed lemos uma haftará muito especial, e para entendê-la, devemos antes citar a guemará que diz sobre o mês de nissan. A redenção da escravidão e a saída do povo de Israel do Egito se deu no mês de nissan. Diz a guemará: “no mês de nissan foram redimidos, e no mês de nissan serão redimidos”. Temos, portanto, mais uma haftará que trata sobre a redenção do povo de Israel, lida do livro de Yehezkiel cap. 37. Esta haftará é conhecida pela denominação “a visão dos ossos secos”.

Sétimo dia – um cântico espontâneo

No sétimo dia de Pessach, lemos o “Cântico de David”, trecho do livro de Shmuel II, cap 22. , a vida do rei David foi uma sequência de reviravoltas. Este cântico,é uma expressão de agradecimento a D-us que emana de dentro do coração de David. O sétimo dia de Pessach, foi o dia no qual o povo de Israel cantou a “Shirat hayam”, – cântico dito no Mar Vermelho. Ao verem os seus inimigos derrotados às margens do Mar Vermelho, esses mesmos egípcios que, a horas atrás, eram seus escravidores, que queriam matá-los, esses mesmos inimigos que por centenas de anos os torturaram, foram destruídos sem batalha ou casualidades no lado de Israel. Aí irrompeu de seus corações o cântico de agradecimento a Hashem.

Esse acontecimento se deu no sétimo dia de Pessach, e por isso, nesse dia lemos a haftará que relata um cântico, assunto semelhante ao cântico que o povo de Israel recitou às margens do Mar Vermelho.

Oitavo dia -  eu sinto Hashem ao meu lado

A haftará do oitavo dia de Pessach, (segundo dia do segundo yom tov) é um trecho lido do livro de Yeshayahu (Isaías) cap. 10. Assim como a haftará do shabat de chol hamoed, também esta haftará trata do assundo da redenção do povo de Israel, na qual o profeta Yeshayahu descreve em detalhe as etapas da redençao do povo de Israel, citando a queda de Sancheriv o rei de Ashur em frente a Jerusalem. Sancheriv foi o rei Assírio que exilou as dez tribos de Israel cerca de um século antes do exílio do reinado de Yehudá e da destruição do Templo.
Esse mesmo rei terrível, quando a caminho da conquista de Jerusalem, ao se aproximar da cidade santa disse: “ainda hoje nos posicionaremos em Nov”. Ao chegar em Nov, um povoado próximo de Jerusalem, Sancheriv levantou os olhos em direção a Jerusalem e com um movimento de sua mão com expressão de descaso disse: “só isso? Isto é Jerusalém?” se referindo a Jerusalem em desdém e de forma pejorativa. Na mesma noite, Hashem fez descer uma epidemia nos seus soldados e todos morreram.

Dessa mesma forma, na redenção vindoura do povo de Israel, Hashem fará milagres e feitos inexplicáveis para salvar o povo de Israel.

Nesta haftará são citados psukim (versículos) conhecidos, que recitamos em diversas ocasiões como por exemplo: “hine E-l yeshuatí” (aqui está o D-us, minha salvação). Como explicam nossos chachamim: quando D-us é por nós considerado “aqui está”, significando, D-us está aqui ao meu lado, eu O sinto o tempo todo, então se realizará a sequência do passuk: “evtach velô efchad” (confiarei e não temerei) As nossas vidas têm um aspecto totalmente diferente, eu confio em D-us e nada temo.

Yom Haatsmaut

Interessante citar que, o Rabinato Chefe do Estado de Israel estabeleceu esta mesma haftará a ser recitada no Yom Haatsmaut” (dia da independência).

D-us queira, que possamos ver e sentir as profecias da redenção vindoura, as palavras de nossos profetas com nossos próprios olhos, que assim seja a Sua vontade, Amén.

Chag Kasher Vesameach

Rav Avraham Rosenberg

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