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“A tradicional posição dos árabes na Palestina…”

06.02.11  |   Conflito  |  Marcella Becker

MITO

“A tradicional posição dos árabes na Palestina foi colocada em risco pelo assentamento judaico”.

 

FATO

Durante muitos séculos, a Palestina teve uma população esparsa, com uma terra pobremente cultivada e composta em grande parte de colinas erodidas e negligenciadas, desertos arenosos e pântanos infectados de malária. Em 1880, o cônsul americano em Jerusalém chegou a dizer num documento que a região seguia em seu declínio histórico: “A população e a riqueza da Palestina não crescem há 40 anos”. O Relatório da Comissão Real (inglesa) para a Palestina cita uma relação da Planície Marítima de 1913: “A estrada que vai de Gaza ao norte era só uma pista de verão, adequada para o transporte em camelos e carretas (…) nenhum laranjal; pomares ou vinhedos só eram vistos ao se alcançar (a aldeia judaica de) Yabna (Yavne) (…) As casas eram todas de barro, sem janelas por onde alguém poderia ser visto (…) Os arados usados eram de madeira (…) Os ganhos eram muito poucos (…) As condições sanitárias nos povoados era horríveis. Não havia escolas (…) A parte ocidental, em direção ao mar, era praticamente um deserto (…) As aldeias nessa área eram raras e tinham poucos habitantes. Muitas ruínas de povoados estavam dispersas pela região, lugares abandonados pelos moradores devido à malária”. Lewis French, diretor de Desenvolvimento britânico, escreveu sobre a Palestina:  “Nós a encontramos habitada por felahin (camponeses árabes) que viviam em casebres de barro e padeciam severamente da malária reinante (…) Grandes áreas (…) estavam sem cultivo (…) Os felahin, quando eles mesmos não roubavam gado, estavam sempre dispostos a oferecer abrigo a esses e a outros criminosos. Os lotes individuais (…) trocavam anualmente de mãos. Havia pouca segurança pública e a vida dos felahin se alternava entre os saques e a chantagem por parte de seus vizinhos, os beduínos. Surpreendentemente, muita gente que não simpatizava com a causa sionista acreditava que os judeus melhorariam as condições dos árabes palestinos. Foi o caso de Dawood Barakat, editor do jornal egípcio Al-Ahram, que escreveu: “É absolutamente necessário que os sionistas e os árabes cheguem a um entendimento porque a guerra de palavras só pode fazer mal. Os sionistas são necessários ao país. O dinheiro que vão trazer, seu conhecimento, sua inteligência e a capacidade de trabalho que os caracteriza contribuirão, sem dúvida, para o erguimento do país”.  Mesmo um dirigente nacionalista árabe acreditava que o retorno dos judeus à sua terra natal ajudaria a ressuscitar o país. O xerife Hussein afirmou: “Os recursos do país ainda estão no solo virgem e serão desenvolvidos pelos imigrantes judeus. Uma das coisas mais surpreendentes até os tempos recentes era que o palestino costumava abandonar seu país, vagando por alto-mar em toda direção. O solo nativo era incapaz de segurá-lo, embora seus antepassados tenham vivido nele por mil anos. Ao mesmo tempo, chegam à Palestina judeus de muitos países – Rússia, Alemanha, Áustria, Espanha e do continente americano. A maior das causas não poderia escapar àqueles que tinham uma capacidade mais profunda de discernimento. Eles sabiam que o país era para seus filhos originais (abna’ihilasliyin), apesar de todas as diferenças entre eles, uma pátria sagrada e amada. O retorno desses exilados (jaliya) à sua terra natal provará ser material e espiritualmente uma escola experimental para seus irmãos que estão com eles nos campos, nas fábricas, nas empresas e todas as coisas relacionadas à labuta e ao trabalho”. Tal como Hussein previra, a recuperação econômica da Palestina e o crescimento de sua população só aconteceram depois do retorno maciço dos judeus.

 

Mark Twain que visitou a Palestina em 1867, descreveu-a

como “um país desolado cujo solo é bastante rico, mas

inteiramente entregue às ervas daninhas: uma terra desolada e

silenciosa… A desolação aqui é tanta que nem mesmo a

imaginação pode congraçar-se com o esplendor da vida e da

ação (…) Jamais vimos um ser humano em toda a rota (…) Havia

quando muito uma árvore ou arbusto em algum lugar. Até as

oliveiras e os cactos, esses amigos constantes dos solos mais

pobres, quase abandonaram o país.”

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