• Twitter
  • Facebook
Home \ Parasha \ A sequência das Parashiot Vaigash, Vaiechi e Shemot

A sequência das Parashiot Vaigash, Vaiechi e Shemot

11.03.11  |   Parasha  |  Marcella Becker

BS”D

Na Parashá Vaigash, acabamos de ler sobre a sensacional história de Yossef. Agora, toda aquela história já está resolvida: os irmãos descobriram Yossef, Yaakov já desceu para o Egito, já estamos em Goshen, e até mesmo já vimos como Yossef controlou as economias do Egito. No final de Vaigash, tudo está em ordem. E agora, entra Vaiechi.

A verdade é que a continuação direta da Parashá Vaigash, deveria ser a Parashá Shemot, a da próxima semana. A parashá Vaigash termina com: “E Israel esteve na Terra do Egito, na Terra de Goshen ;…”. A parashá Shemot começa com: “E estes são os nomes dos filhos de Israel que vieram ao Egito, …”. O assunto é o mesmo. Uma parashá continua a narrativa da outra. No entanto, no meio delas, existe a Parashá Vaiechi – como uma interrupção.

A continuação direta deveria ser entre Vaigash e Shemot. A sequência seria melhor. Para fazer dessa maneira, bastava que o texto de Vaiechi estivesse englobado dentro da parashá anterior. Seria Vaigash e, em seguida, Shemót. Então, afinal, porque existe essa pausa? Essa é a mesma pergunta que Rashi elabora em seu primeiro comentário em nossa Parashá: “Porque se fecha aqui a parashá?”. Lá, Rashi faz a pergunta e também dá a sua resposta. Mas aqui, vamos explicar essa quebra na narrativa segundo a opinião do Rav Mordechai Elon. Para ele, essa interrupção é fundamental e só existe para marcar as diferenças profundas entre os livros Bereshit e Shemót.  

A Parashá Vaiechi é pausada somente para marcar a mudança de postura de Hashem perante Am Israel. Em todo o Livro de Bereshit, não temos nenhum milagre esplêndido. Tudo acontecia através da natureza, enquanto que o Livro de Shemot está repleto de milagres inexplicáveis. Avraham Avinu venceu a guerra contra os quatro povos com confronto direto; já na guerra contra Amalek, Am Israel vencia quando Moshê erguia os braços. Quando havia fome, os patriarcas tinham que sair da terra e cavar poços; já no deserto, o maná caía dos Céus. Até agora, toda profecia vinha em sonhos, mas a partir de Shemot, Moshê fala com D´s face a face. Também lemos sobre as dez pragas, o Mar Vermelho, o Monte Sinai, e tantos e tantos milagres inexplicáveis.

De acordo com o Cuzari, todos esses milagres não foram feitos para aquela geração por ela merecer mais que Avraham, Itzchak e Yaakov. Na verdade, isso foi necessário porque seus corações estavam cheios de dúvidas, diferente de nossos patriarcas – que acreditavam em D´s com fé plena e independente de qualquer condição. Na mesma linha, Nachmânides (Ramban) explica que, na verdade, o grande milagre foi o que aconteceu com os patriarcas! Os milagres foram feitos para eles de maneira que não se anulava o caminho da natureza. O verdadeiro milagre é alcançar todas aquelas conquistas sem precisar fugir das regras da natureza. Esse é o grande milagre, quando os caminhos de D´s se mantêm!

Nesse shabat, nossa prece é para que a paz verdadeira se estabeleça em nosso Estado, com a chegada da esperada Gueulá (redenção). Respeitando as leis da natureza, estamos em Eretz Israel defendendo nosso território, num contexto diferente daquele da guerra contra Amalek – de milagre fora da natureza. Mas, mesmo através da ordem da natureza, é Hashem quem está realizando um milagre enorme! O maior! Ou seja, a nossa Medinat Israel é um milagre muito maior do que a abertura do Mar Vermelho! Pela paz profunda e também pela segurança de nossos soldados, nossos corações rezam. E, através da natureza, nossos olhos já enxergam as grandes maravilhas que Hashem realiza. Que a paz se estabeleça em nossa Pátria, “reshit tsemchat gueulatênu” (o princípio do desenvolvimento de nossa redenção). Shabat Shalom!

Por Michel Nigri, baseado num shiur realizado pelo Rav Mordechai Elon

Comentários fechados.