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A relação entre os nomes de Pessach

04.04.11  |   Chaguim  |  Marcella Becker

Sabemos que Chag HaPessach também é chamado de Chag Hamatsot, nome que expressa a confiança do Povo Judeu em D´s. A ação sa providência Divina sobre o mundo ficou clara na saída do Egito, e este evento passou então a formar a raiz da confiança em Hashem. Este é justamente o significado da matsá… nas palavras da Hagadá: “Qual o significado desta matsá que comemos? Para lembrar que as massas dos nossos antepassados não fermentaram antes que o Rei dos Reis aparecesse e os redimisse”.

Já o nome Chag HaPessach se refere ao sacrifício de Pessach e ao apreço de D´s pelo Povo. Durante as Dez pragas, enquanto o povo eípcio era atingido, os judeus eram poupados. “Pessach” vem justamente  do fato de D´ster “pulado” a casa dos judeus enquanto golpeava os primogênitos egípcios.

Estas duas idéias estão relacionadas: formamos uma nova nação na saída do Egito, querida por D´s e que estaria pronta para receber a Torá. O destino desta nação está intimamente ligado a sua proximidade com Hashem, e a santificação do Nome divino depende dela. Exatamente por isto, D´s considerou a formação de Israel antes da crianção do mundo. Como diz o Talmud, a criação do mundo dependia de o povo judeu aceitar a Torá; se o povo não a aceitasse, a criação ficaria sem sentido e o Universo retornaria ao caos e à desordem.

Esta idéia fica ainda mais clara quando percebemos que, apesar de serem escravos e chegarem ao 49 nível de impureza, os filhos de Israel foram escolhidos para ser Seu povo.

Agora vemos como os dois nomes estão relacionados: D´s deveria se revelar ao mundo e, ao mesmo tempo, o povo Judeu seria o meio para esta revelação.

Por que a escravidão?

A longa e pesada escravidão era necessária? O objetivo do povo Judeu é elevar o mundo e, para isso, era necessário que experimentasse o grau de sofrimento que um homem pode causar a outro. Diversos trechos da Torá que tratam do relacionamento entre os homens lembram da passagem pelo Egito, como por exemplo: “E não oprimirás o peregrino, pois vós conheceste a alma do peregrino, porque fostes peregrino na terra do Egito”.

O êxodo teve uma característica única: até então, quando uma nação se libertava de seus opressores, ela própria assumia o papel de dominante. Desta vez, os judeus não tentaram dominar os egípcios; estavam preocupados apenas com a sua liberdade.

O conceito de liberdade inerente ao homem foi finalmente difundido; neste cenário, Pessach também é chamado de Festa da Liberdade e da Redenção. Um homem livre deve ser responsabilizado pelo que faz, tanto individualmente quanto como parte da sociedade. Para que o conceito de liberdade esteja firme entre os governantes, os anos dos reinados são contados justamente a partir de Nissan, além desta ser a festa que abre o calendário da Torá.

Pólos Opostos

Os filhos de Israel e os egípcios estão em pólos opostos: os egípcios formavam uma sociedade extremamente materialista, afundada em idolatria e atraída pelas relações proibidas; já os judeus tinham uma visão espiritual do mundo e, por causa disto, podiam aceitar a unicidade divina, isenta de atributos físicos. Assim a ligação de Israel com o mundo físico tende a ser pura e perfeita, o que leva seus cidadãos a serem humildes e apartados das relações proibidas. Os sábios falam no Midrash de Vaikrá que “não existiu outra nação tão abominável em seus atos quanto os egípcios”, e o Maharal de Praga completa que isto era particularmente verdade na geração da escravidão.

Não podemos negar os avanços alcançados pelos egípcios, seja no desenvolvimento e uso do solo, irrigação, um governo estável e a prosperidade econômica (com a ajuda de Yossef!). Mas estes feitos estavam isolados de qualquer influência espiritual… os egípcios não acreditavam no conceito de uma alma espiritual e independente; para eles, a alma seria submissa e dependente do corpo. Entendemos agora porque era tão importante embalsamar os corpos, já que esta seria a única realidade do homem. A morte não representava o fim da existência física; o corpo apenas deixava de falar e se mover, mas esta continuava sendo a única realidade do homem…

por Rav Eliezer Melamed, diretor da Yeshivá Har Bracha

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